O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 07/09/2020

Para o sociólogo, Émile Durkheim, as ações individuais são influenciadas pelo meio social em que o cidadão está inserido. Portanto, depreende-se a necessidade da construção de um contexto propício para o desenvolvimento de jovens conscientes. Entretanto, o que se observa é o contrário, pois, no atual contexto de marketing excessivo, muitos dos chamados, influenciadores digitais, usam a internet como meio de veiculação de ideias consumistas e fúteis. Essa problemática está atrelada a dois principais fatores: o acesso facilitado via smartphone para crianças e a perpetuação dos traumas ocasionados pelo uso excessivo deste, no indivíduo adulto.

Em um contexto em que os indivíduos buscam por otimização de tempo, muitos pais utilizam dos smartphones como meio de entretenimento para os filhos, pois, nas plataformas digitais, encontram-se inúmeras opções para satisfação instantânea. Entretanto, tal facilidade, traz consigo uma grande problemática, a criação de um molde de consumo, ideias e até estilo de vida, onde jovens passam a enxergar sob a óptica dos influenciadores digitais. De acordo com o Ibope inteligência, 75% dos consumidores de conteúdos digitais, tem entre 13 e 21 anos, com isso o impacto social será refletido no indivíduo, principalmente, enquanto jovem, o que faz com que tenham que lidar com as frustrações dos padrões irreais, criados pela mídia digital, desde cedo.

Porém, essa influência, apesar de possuir raízes na pessoa jovem, se estenderá também na vida adulta, pois, segundo Augusto Cury a experiência constitui o indivíduo, e essa uma vez vivida, tende a se perpetuar, então depreende-se que submeter jovens a influências consumistas e fúteis, culmina na perpetuação desses valores no cidadão quando adulto. Dessa forma se reconhece a grande responsabilidade dos influenciadores digitais, pois essa se dá a curto e longo prazo, não apenas no ser individual, pois, tratar desse é tratar da sociedade como um todo. Fica evidente então a necessidade de políticas públicas afirmativas em prol do entretenimento saudável.

Para a mudança do cenário de forte influência midiática na constituição da geração jovem, o Ministério da educação deverá agir, através de uma ação consistente que levará cultura e entretenimento saudável à casa dos estudantes, através da literacia familiar, o projeto “biblioteca rotativa” terá investimento efetuado por meio de verbas governamentais, e caberá a escola fazer a primeira distribuição dos livros, a partir daí, semanalmente os alunos trocarão as obras entre si, a fim de incentivar a interação social entre os alunos, a escola deverá solicitar relatório dos responsáveis sobre a experiência para a manutenção do contato entre a família e a instituição educativa. Dessa forma, uma geração com maior senso crítico, baseado na literatura credibilizada, será formada.