O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 02/09/2020
Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer, por exemplo, criaram o conceito de “indústria cultural”, cuja ideia está relacionada a uma padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Nesse sentido, estão inseridos no contexto atual os influenciadores digitais, produtores de conteúdo para as redes sociais, que possuem milhões de seguidores, compostos predominantemente por um público juvenil. Desse modo, é importante analisar o impacto desses influenciadores, contudo, vive-se hoje um cenário no qual os influenciadores digitais parecem se importar mais com a exposição excessiva de marcas e modas, do que com a preservação da saúde mental de quem está por trás das telas.
Antes de tudo, ser um influenciador significa ter um efeito direto nas decisões de compra, estilo de vida e nas opiniões dos outros, muitos desses influenciadores produzem seus conteúdos nas redes sociais, por exemplo, no YouTube, Instagram e Facebook. De acordo, com um estudo feito pela Youpix, especialista no mercado de criadores de conteúdo, mostrou que a maioria dos jovens brasileiros já teve contato com alguma marca por meio de influenciadores, segundo a pesquisa, aproximadamente 64% dos jovens entre 18 e 34 anos já usaram influenciadores digitais como uma fonte para conhecer uma marca ou produto. Além disso, é muito comum ver os jovens sendo influenciados a terem opiniões iguais as das pessoas que seguem, ou seja, muitos influenciadores acabam fazendo com que alguns de seus seguidores mudem de opinião, passando assim a pensarem igual a eles.
Por outro lado, é lógico entender que o grande impacto causado por influenciadores em jovens deve-se, sobretudo, à frágil educação digital por parte de ambos os grupos. Nesse sentido, Rubem Alves entende como ‘‘Escola Asa’’ o modelo pedagógico que aplica nos indivíduos o preparo necessário para viver em harmonia, desde social à mental. Todavia, se hoje é comum o grande desenvolvimento de ansiedade e transtornos, despertados por gatilhos virtuais nos jovens. Dessa forma, enquanto a educação não for prioridade, o país tenderá a viver, cada vez mais, com essa problemática virtual, relacionando com a saúde mental das pessoas que seguem os produtores de conteúdos.
Portanto, medidas são necessárias para diminuir os impactos causados pelos influenciadores digitais na era tecnológica. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação intensificar, na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a importância de vincular a educação digital à preservação da saúde mental. Além disso, esse órgão deve promover, eventos em todas as escolas brasileiras, abertas para os jovens e suas famílias, para que sejam passadas as instruções necessárias a uma navegação saudável na internet.