O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 02/09/2020

Na música “Pela Internet” de Gilberto Gil, é retratado um viés idealizado e romantizado do mundo digital, onde a liberdade do internauta é nítida. Contudo, na prática, nota-se que a internet deixou de ser um lugar utópico e transformou-se em um espaço bombardeado de informações e recomendações para o público juvenil, mediante dos influenciadores. Desse modo, a abundante participação de tais agentes digitais ocasiona na influência comportamental dos jovens, e, consequentemente, suprimi a autonomia dos adolescentes em formação.

A princípio, é importante ressaltar que a internet e a tecnologia possuem enormes participações no cotidiano dos jovens. Sob tal ótica, em um dos episódios da série “Black Mirror” é apresentado um aparelho virtual que determinava as escolhas e as ações dos indivíduo. Similarmente, os influenciadores possuem o mesmo papel social do dispositivo exibido na obra ficcional, uma vez que eles influenciam os comportamentos dos adolescentes com recomendações, assim, moldando o caráter do público juvenil em crescimento. Então, evidencia-se que providências devem ser tomadas para amenizar esse forte poder de influência dos agentes digitais.

Por conseguinte, a atuação dos influenciadores provoca ausência de liberdade dos adolescentes na conjuntura contemporânea. Nessa perspectiva, a concepção de “Menoridade Intelectual”, do filósofo Immanuel Kant, é caracterizada pela falta de autonomia das pessoas no espaço virtual, uma vez que elas são manipuladas pelas diversas informações na internet e, como resultado, tem seus princípios moldados. Diante desse cenário, a formação plena e individual do público juvenil é alterada, posto que os pensamentos dos influenciadores refletem nas ações sociais dos adolescentes. Destarte, é evidente que a liberdade ilusória, oriunda do atual cenário virtual, é nociva ao grupo juvenil.

Depreende-se, portanto, que medidas são imprescindíveis para mitigar os impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Logo, cabe ao Estado comunicar a presença dos agentes digitais para a população, por meio de anúncios e publicações, que serão divulgados nos canais midiáticos e nos veículos de comunicação do país, a fim de reduzir o grande poder de atuação dos influenciadores na vida dos adolescentes. Ademais, compete ao Ministério da Educação, em parceira com as escolas, alertar o perigo da ausência da autonomia no processo de formação juvenil, por intermédio de aulas e palestras com educadores, com o intuito de atentar os familiares dos conteúdos consumidos pelos jovens no mundo atual.