O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 02/09/2020
Na série Control Z, é narrada a vida de um grupo de adolescentes que fazem parte da geração contemporânea. Na trama, observa-se o cotidiano dessas personagens e de como todas são vítimas das influências digitais, realizando atividades que não desejam, mas que são induzidas. Contudo, apesar da utopia cinéfila, a realidade da série não está distante do século XXI, já que sociedade atual, em especial os jovens, já percebe os impactos negativos oriundos da confiança depositada nos influenciadores. Tais consequências evidenciam, dentre outros fatores, a expressiva negligência pública acerca da formação juvenil.
Em primeiro plano, sob a ótica do sociólogo Theodor Adorno há o conceito de Indústria Cultural, que está relacionado à padronização de valores transmitidos pelos veículos de comunicação. A analogia de Adorno exemplifica, no contexto moderno, como os criadores de conteúdo se aproximam de grupos mais suscetíveis e, naturalmente, aliciam a opinião dos usuários. Nesse sentido, o marketing produzido conduz os nichos sociais a seguirem tendências comportamentais e opinativas, visando sempre a maximização do lucro, mas não o consumo adequado. Desse modo, assim como em Control Z, a perda da autoidentidade aliada à distúrbios de personalidade são cada dia mais comuns.
Paralelo a essas constatações, o filósofo John Locke alegava que todo ser humano é como uma tábua rasa, que vai sendo lapidada a partir das experiências pessoais. Dessa forma, com o advento da Era Moderna, aliada, posteriormente, à globalização, as experiências sugeridas por Locke e reafirmadas por Adorno estão sendo pautadas na alienação da juventude em virtude dos meios informacionais. Outrossim, as plataformas disponibilizam assuntos preconceituosos e opiniões estereotipadas, o que prejudica o senso crítico púbere, bem como o desenvolvimento do caráter e da moral. Portanto, a Cultura de Massa ligada à Era Capitalista dificulta o debate sobre a socialização dos jovens.
Diante do exposto, medidas são necessárias para minimizar a negligência pública referida. Logo, cabe ao Conselho Especial de Comunicação Social a tarefa de melhorar a qualidade do conteúdo disponibilizado pelos influenciadores, por meio de leis, aprovadas pela Câmara dos Deputados, as quais autorizem a retirada de conteúdos caracterizados como impróprios para os grupos em questão, à vista de auxiliar na formação individual dos cidadãos. Ademais, compete ao Ministério da Educação o dever de instruir os jovens à selecionar a informação que será absorvida, por intermédio de palestras - lecionadas pelos professores de sociologia, em horários letivos -, as quais ensinarão os veículos que são acessíveis, com o fito de canalizar a mídia digital para a edificação coletiva. Assim, espera-se que o pensamento de John seja compreendido pelas novas tecnologias.