O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 02/09/2020
Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “indústria cultural”, no qual está relacionado a uma padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Na contemporaneidade, os chamados influenciadores digitais são os principais atuantes nesse conceito, através das plataformas mais usadas, como YouTube, Instagram e TikTok, que tem os jovens como seu público alvo predominante. Entretanto, tais influencias podem não ser necessariamente positivas, podendo gerar até problemas na saúde mental e física do consumidor de conteúdo.
Em primeira análise, observando o poder dos agentes digitais, as empresas estão investindo neles para promover seus produtos, devido a sua capacidade de persuasão e alcance do público. Entretanto, grande parte dos criadores de conteúdo aparentam se importar mais com a exposição excessiva de marcas, do que com a saúde de sua audiência, causando sérios problemas de consumismo, oferecimento de um padrão de vida inalcançável e problemas de autoestima, já que são apresentados corpos considerados perfeitos no padrão de beleza imposto pela sociedade, quando na verdade é resultado de edição de fotos.
Em segunda análise, durante o século XVIII, pensadores iluministas dedicaram suas vidas para afirmar a importância da liberdade de expressão em uma sociedade. Apesar disso, suas falas e escritos foram distorcidos na atualidade, ameaçando a formação intelectual e social dos jovens, já que muitos influenciadores digitais não são os melhores exemplos de comportamento adequado. De acordo com a revista Monet, Bryce Hall e Blake Gray, astros estadunidenses na nova rede social “TikTok”, com, respectivamente, 13,4 milhões e 6,1 milhões de seguidores, fizeram uma festa em meio a uma pandemia. Além desse caso, segundo o site G1, Gabriela Pugliesi, criadora de conteúdo sobre saúde e bem-estar, também foi criticada após reunir vários amigos em sua casa, podendo ressaltar que a brasileira tem cerca de 4,2 milhões de seguidores no Instagram.
Portanto, é inegável o impacto que os influenciadores digitais tem na formação dos jovens. Cabe ao Ministério da Educação, juntamente com a mídia, orientar crianças e adolescentes sobre o uso inadequado da internet e os malefícios que ela traz, por meio de palestras e debates feitos por psicólogos, com destaque em formas de persuasão utilizadas por criadores de conteúdo, a fim de tornar os jovens mais críticos e atentos para tais situações. Desse modo, o público se tornará menos suscetível as instigações do espaço cibernético.