O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 04/09/2020
Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com os impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens deixa o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nesta perspectiva, seja pelo consumismo exacerbado, seja pelos padrões impostos socialmente, tais pessoas continuam a interferir na vida dos jovens e merece uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, nota-se que o consumismo é a causa notória da questão. Nessa lógica, os filósofos da Escola de Frankfurt, Adorno e Hockheiner, disseminaram a idéia de Indústria Cultural, que fazia uma crítica direta à influência dos grandes empresários e da mídia na sociedade. Com efeito, o que os filósofos denunciavam era o uso das pessoas como massa de manobra resultando no que eles chamavam de alienação em massa, na qual todos os indivíduos possuem os mesmos padrões de comportamento, gostos e desejos. Efetivamente, tal crítica se confirma no presente, visto que a persuasão exercida pelos “digital influencers” é uma das conseqüências mais nocivas ao corpo social, principalmente, ao público juvenil. Sendo assim, não se pode admitir que tal fato perdure no Brasil.
Outrossim, deve-se pontuar os danos causados por tais “lifestyles” mostrados por tais indivíduos, tendo em vista que não são reais e impactam severamente o psicológico de muitos adolescentes que acreditam que precisam ser exatamente iguais ao que vêem nas redes para serem aceitos tanto pela sociedade quanto por si mesmos. Nesse ínterim, é fato que a atual geração, em sua maioria, não possui uma preparação prévia para lidar com o mundo de aparências que se vive online, uma vez que o que se observa são jovens com baixo auto-estima, alienados pela mídia que diante de tal exposição acabam por desenvolver diversas complicações como depressão, distúrbios alimentares e psicológicos, entre outros. Desse modo, é necessário que haja uma discussão aberta a fim de resolver tal chaga social.
Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para modificar o cenário vigente. Dessa maneira, é obrigação do Ministério da educação em parceria com empresas especializadas a implementação de uma “educação midiática”, inserindo na grade curricular brasileira palestras, aulas e dinâmicas que informem aos estudantes as estratégias comerciais por trás das postagens, a fim de garantir a compreensão da realidade social tecnológica. Para tanto, é preciso capacitar professores e dar suporte as escolas, visando garantir que a ação seja exeqüível e assim, funcional. Isso posto, as novas gerações não serão mais alienadas pela mídia e tal problemática será um problema do passado, pois como afirma Aristóteles, o conhecimento gera plenitude.