O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 03/09/2020
Os filósofos alemães Horkheimer e Adorno criaram o conceito de “indústria cultural”, cuja ideia está relacionada a uma padronização de valores transmitidos por veículos de comunicação. Nesse segmento, estão dentro do contexto atual, os influenciadores digitais, produtores de conteúdo para YouTube, Instagram e twitter, que possuem milhões de adeptos, compostos principalmente por um público juvenil. Assim, é importante analisar o impacto desses influenciadores na vida dos jovens brasileiros, cada vez mais conectados às redes sociais e vulneráveis as diversas formas de conteúdos disponibilizados nestas.
Primeiramente, vale destacar que, muitas empresas, sabendo da força dos influenciadores digitais, estão investindo nessas celebridades para divulgação de seus produtos, por conta do grande alcance de público e da capacidade que esse possuem de moldar comportamentos, já que se aproximam dos seguidores de uma forma natural e despertando a vontade de acompanhar as tendências e estilos de vida demonstrados por eles. Isso se comprova, quando analisadas as inúmeras publicidades a qual esses estão veiculados. Além disso, de acordo com a Youpix, quase 50% dos jovens de 18 a 34 anos, já se deixaram induzir a compras por dicas compartilhadas por criadores de conteúdo. Todavia, cabe aos pais, orientar os filhos para não se tornarem vítimas fáceis dessa estratégia de marketing, que muitas vezes, deixam a ética de lado em nome do consumismo e lucratividade.
Outrossim, outro ponto a ser destacados, é a ausência de fiscalização por parte das redes faz com que postagens com conteúdo nocivo viralize no meio online. Como também, Atitudes inapropriadas e muitas vezes preconceituosas de influentes, que podem contribuir para a construção do caráter do jovem sob alicerces frágeis. Exemplo disso, é o “youtuber” Júlio Cocielo, cujas piadas foram consideradas racistas e repercutiram de forma negativa na mídia. Tais comportamentos são inaceitáveis, uma vez que reforçam estereótipos e distorcem a visão de mundo dos jovens, confirmando a ideia de Adorno e Horkheimer, que a cultura de massa não apenas torna a sociedade menos inteligente, mas também incapaz de agir moralmente.
Portanto, é dever dos país e familiares verificarem os conteúdos acessados em plataformas online e alertar os jovens e crianças sobre a manipulação existente na mídia, criando nestes uma inteligência emocional e tornando-os não adeptos da “indústria cultural”. Além disso, as plataformas precisam revisar o conteúdo divulgado por seus usuários e, se necessário classifica-los por faixa etária, ou até mesmo excluir se apresentarem incitações à violência ou discurso de ódio, impedindo que jovens sejam expostos à postagens prejudiciais ao desenvolvimento pessoal.