O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 04/09/2020

Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “Indústria Cultural”, cujo objetivo remete a padronização dos valores transmitidos nas redes sociais. Nesse prisma, estão inseridos no contexto atual os influenciadores digitais, produtores de conteúdos que manipulam, de maneira indireta, a população jovem do Brasil. Nessa perspectiva, seja pelo consumismo expansivo, seja pela alienação digital, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da sociedade e exige uma reflexão urgente.

A princípio, é importante ressaltar o aumento do consumo impulsivo dos brasileiros. Nesse contexto, os “digital influencers” são a melhor tática para a divulgação dos produtos de uma empresa, pois por conquistarem as redes digitais, conseguem amplificar o mercado de consumo, avolumando o lucro das companhias. Segundo pesquisas, aproximadamente 80% da sociedade utiliza as lojas online em suas compras. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Ademais, é fulcral pontuar como a alienação digital é consequência da manipulação ocasionada pelos “influencers”. De acordo com Allen Ginsberg “Quem controla a mídia, as imagens, controla a cultura.” Segundo a pesquisa sobre “Influenciadores digitais” realizada pela Qualibest, aproximadamente 50% do público pesquisa a opinião de criadores digitais antes de efetivarem uma compra importante e 73% já adquiriram produtos por indicação desse profissional da internet. Com isso, muitas pessoas são manipuladas pela mídia a usar a marca X, por ser de conhecimento vasto entre a população, em deterioramento da marca Y.  Desse modo, é necessário a quebra dessa situação que tanto assola a sociedade brasileira.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Assim, é necessário que as famílias – em parceria com as instituições acadêmicas- verificarem o conteúdo dos vídeos assistidos nas plataformas on-line e alertem os filhos/educandos sobre a manipulação que existe na mídia para transformar a arte em mercadoria e estimular o consumo por meio da alienação das massas. Além disso, é de responsabilidade do Governo, em conjunto com o CONAR - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária - formular leis para regulamentar a publicidade no âmbito virtual, afim de diminuir as propagadas que sejam prejudiciais ao público adolescente. Somente assim, notar-se-á uma sociedade de jovens com uma inteligência emocional que permita fazer escolhas e julgamentos criteriosos, afastados da “indústria cultural”.