O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 07/09/2020

O sociólogo Zygmunt Bauman caracteriza as redes sociais como um mecanismo útil, mas que pode representar uma armadilha. Partindo dessa perspectiva, questiona-se a consequência da utilização de tal meio no desenvolvimento dos jovens, cuja formação está sujeita a ser influenciada pelos produtores de conteúdo da internet. Diante disso, é válido destacar os interesses comercias das empresas como o principal agravador desse imbróglio, provocando uma cultura de alienação à juventude moderna.

Em primeira análise, é necessário reconhecer os interesses comerciais da indústria de consumo como grande empecilho na detenção desse viés. De modo geral, é possível observar que as marcas tendem a buscar cada vez mais os influenciadores digitais para divulgarem seus produtos, pois a visibilidade deles facilita o alcance de mais consumidores. Logo, o público juvenil tende a se interessar mais pela marca, assim como comprovado por estudos da Youpix, no qual 90% das pessoas afirmaram ter sido influenciadas nesse caso. Assim, é substancial a mudança desse quadro.

Por conseguinte, verifica-se uma cultura de alienação difundida através da internet. A série “Black Mirror” retrata em um de seus episódios um futuro distópico, cuja humanidade é dominada pelas redes sociais e os indivíduos estão sempre em busca de elevar o seu “status” através de curtidas. De maneira análoga à ficção, nota-se que a modernidade está marcada por uma juventude alienada, a qual é levada a acreditar que o número de seguidores e “likes” de um influenciador são determinantes sociais e um exemplo. Nesse contexto, urge a necessidade de intervenção.

Dado o exposto, torna-se necessário a adoção de algumas medidas, a fim de amenizar a problemática. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela educação pública brasileira, promover intervenções nas escolas, para que, por meio de palestras, os jovens conscientizem-se sobre as técnicas maliciosas de “marketing” das marcas na internet e tornem-se menos suscetíveis a manipulação pelos influenciadores digitais nesse meio. Assim, o futuro previsto por “Black Mirror” não se concretizará.