O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 13/09/2020

O episódio “Queda Livre” da série britânica Black Mirror retrata um futuro distópico em que a vida “real” e o meio virtual funcionam em plena associação em um sistema que exige um grau de popularidade específico para que cada indivíduo tenha acesso a benefícios para sua sobrevivência. Sob essa ótica, a  relação da sociedade contemporânea com as redes sociais, que se baseia em uma constante busca por aprovação, está associada diretamente com a obra supracitada, permitindo que seja questionado o papel dos influenciadores digitais quanto a sua atuação no desenvolvimento crítico e moral da juventude (seu público-alvo) e como esses usuários podem ser manipulados no processo.

Em primeira análise, deve-se destacar a posição desses influenciadores como um emergente nicho de profissionais com habilidade de gerar conteúdos relevantes e transformadores para os jovens, por meio de uma comunicação informal responsável por estabelecer uma identificação por parte dessa audiência, que passa a considerá-los potenciais representantes de seus ideais. Nesse sentido, ressalta-se a importância desses agentes digitais no amadurecimento da consciência política e do engajamento civil da geração Z, tal como opera a advogada criminalista e influenciadora digital Gabriela Prioli, que recebeu grande notoriedade nas mídias sociais por expor suas convicções e seu conhecimento a respeito da estrutura político-social brasileira com o objetivo de estimular essa visão crítica nos jovens.

Em segunda análise, é notável que a indústria de marketing por influência se torna maléfica para o público jovem quando desperta o chamado “efeito de manada”, resultando em uma reprodução inconsciente de discursos e atitudes propagadas por tais personalidades influentes e na carência identitária que é causada pela excessiva repetição de determinado comportamento. Outrossim, os influenciadores digitais podem impactar nos jovens o que a pesquisadora Paula Sibilia denomina de “mercado dos olhares”, expressão que pode ser interpretada como a constante espetacularização de um estilo de vida, responsável pelo estabelecimento de um padrão comportamental irracional nas redes e, até mesmo, pela dependência de uma constante validação de terceiros.

Em síntese, é necessário que os profissionais criativos do meio digital obtenham mais responsabilidade em sua conduta com os jovens nas mídias sociais. Assim, os influenciadores digitais devem se mobilizar por meio da criação de uma associação internacional, composta por grandes criadores de conteúdo e órgãos de segurança virtual, que fiscalize os trabalhos do setor e proponha debates com o público juvenil, com o intuito de obter um ambiente “online” mais saudável, onde as plataformas desses agentes se tornem mais conscientes, tenham mais qualidade e sigam as políticas eletrônicas exigidas de forma eficiente.