O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 15/09/2020

A criação da Internet trouxe como pontos positivos a facilidade cada vez maior de comunicação, acesso ao conhecimento, entretenimento e outros. Entretanto, ela também apresenta fatores negativos relacionados, principalmente, aos influenciadores digitais. Esses “influencers” representam grande poder de persuasão sobre os jovens, que, muitas vezes, não percebem o problema em seguir tudo o que é dito por esses criadores de conteúdo. Essa situação tem como consequências o aumento exacerbado do consumo e a valorização do virtual em detrimento do real.

Em primeiro lugar, a exposição dos jovens aos “influencers digitais” pode ocasionar o que o filósofo francês Pierre Lévy chama de virtualização. Há atualmente um enaltecimento de tudo o que se passa na Internet, de modo que o que é mostrado virtualmente é sempre melhor e do que a realidade: o jovem é bombardeado a todo momento com a ideia de uma vida perfeita e glamourosa nas telas; ao mesmo tempo, a realidade se opõe ao que é visto nas redes, sendo monótona e maçante. E é dessa situação que trata Lévy: segundo o pensador, o virtual assume o lugar do significado, propiciando uma fuga da realidade e do que ela não proporciona. Essa situação de descrença em relação ao real faz com que o jovem encontre naquilo que vê nas telas a solução para suas angústias e a garantia de felicidade – ao comprar certo produto, por exemplo. Quando essa felicidade, porém, não chega, o jovem desapontado encontra, em seu entretenimento, outras formas de garanti-la, por meio de novas compras, que trazem  apenas alegrias momentâneas.

Esse ciclo vicioso em busca do que a realidade não propicia ocasiona, por sua vez, um aumento no consumo. Por meio de patrocínios que recebem, os influenciadores digitais não só apresentam uma vida perfeita, eles também provocam confiança em seus discursos e garantem a felicidade, que o real não proporciona, na forma de produtos. Assim, conseguem manipular e padronizar o pensamento juvenil, incentivando o consumo, como mostra uma pesquisa realizada pela Youpix, que conta que 90% dos jovens no Brasil já foram incentivados pelos criadores de conteúdo da Internet a conhecer algum produto ou marca. Desse modo, é “garantido” (temporariamente e de forma ilusória), na forma de produtos, a aquisição do glamour e alegria mostrados nas telas.

Tendo sido apresentados os impactos dos “influencers” sobre a chamada geração Z, torna-se essencial a resolução do problema. Para isso, é preciso que o Governo impeça a manipulação das ideias juvenis, levando educação e conscientização aos mais jovens – com implementação de aulas sobre o assunto na base curricular – a fim de fazer com que esses não caiam nas armadilhas do mercado, que agora assume a forma dos influenciadores digitais.