O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 14/09/2020

A série “Black Mirror”, original do streaming Netflix, dedica um dos seus episódios para narrar acerca de uma sociedade onde todos têm sua qualidade de vida baseada na avaliação recebida através de um aplicativo, sendo a classe social definida pela popularidade e maior influência na vida cotidiana. Paralelo a isso, o Brasil se encontra hoje repleto de influenciadores digitais que, com o forte impacto na formação dos jovens, geram consequências como problemas psicológicos e a busca pela idealização da vida real, portanto, essa problemática, que cresce no país sem devida atenção, necessita de medidas para combatê-la.

A princípio, o modelo de vida que tais influenciadores demonstram pela sua rede social, se mostra utópico com relação a realidade vivida pela maior parte da população no Brasil. Segundo uma pesquisa da Youpix, mais de 60% dos jovens já conheceram uma marca ou determinado produto por meio dessa influência, o que acarreta um consumismo alarmante, prejudicial para a sociedade como um todo, e o acúmulo de dívidas por parte do jovem, distanciando-o ainda mais da realidade luxuosa e perfeita do influenciador. Além disso, os produtos mostrados são obtidos por meio da chamada “permuta”, em que o valor é medido em propagandas, levando o cliente a crer que adquirir o produto é uma facilidade e de extrema necessidade.

Nesse mesmo viés, o distanciamento entre a vida do influenciador e do influenciado acarreta, por muitas vezes, danos psicológicos no decorrer da vida de um jovem. Dessa forma, a vida fácil, status social, fama e realização das vontades do “digital influencer”, gera uma expectativa muito alta naqueles que iniciam a vida adulta. Isso porquê, nem sempre a vida desejada é possível para essas pessoas, uma vez que a ideia de possuir bens materiais de forma fácil não é real. Isso acaba por acarretar problemas como ansiedade, depressão, problemas com autoconfiança e insegurança, presentes em 86% da população, segundo a pesquisa publicada pela revista “Veja” em 2019.

Conclui-se, assim, que é necessária informação e autocontrole por parte do consumidor do conteúdo.. Para isso, cabe às escolas, em parceria com o Ministério da Educação, garantirem, desde os primeiros anos, o acesso à informação sobre esses influenciadores e o trabalho feito por eles.  Tal conscientização pode ocorrer por meio da educação midiática em palestras, trabalhos escolares e projetos com utilização de uma determinada mídia social, permitindo que os jovens e adolescentes compreendam sobre como a influência é usada no meio publicitário. Só assim, será prevenido problemas posteriores na vida desses futuros adultos em sociedade.