O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 15/09/2020

O livro O Cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que o impacto dos influenciadores digitais na formação de jovens afeta a sociedade como um todo. Assim, seja pelo estímulo a uma sociedade consumista, seja pelo possível desencadear de distúrbios psicológicos e físicos, o problema permanece afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

A priori, é válido destacar que no mundo contemporâneo as figuras públicas podem e promovem expansão do mercado consumidor, pelo fato de estimular a demanda de diversos produtos divulgados por eles. Tal fato ocorre em decorrência do que se chama “sociedade do espetáculo”, aquela mediada por imagens, status e adoção de padrão de consumo que não é alvo de crítica, levando sobretudo os jovens, consumirem mais do que necessitam e gastarem mais do que possuem, só pela mera propaganda de pessoas que estes acompanham. Logo, é substancial  que medidas sejam tomadas para mudança desse quadro.

Somado a isso, é preciso atentar que uma das causas que corrobora para o problema está ligado, sobretudo, a possíveis distúrbios mentais, causados principalmente pela necessidade de se comparar a um padrão de estilo de vida. Sendo assim, em tempos de rede social, com a cultura da magreza e modismo de dieta, muitas pessoas ficam vulneráveis a desenvolver problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, no qual segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 4,7% da população brasileira apresentam transtorno alimentares, muitas das vezes causados pela busca obcecável da “perfeição” que é mostrada por esses formadores de opinião, contribuindo para baixo autoestima e distúrbio de imagem. Desse modo, é inaceitável que essa situação se perpetue na sociedade contemporânea.

Depreende-se, portanto, que são necessárias medidas capazes de mitigar o problema. Para tanto, é imperiosa uma ação do governo, que deve por meio de campanhas informativas e educativas, promover debates que contribuam para a desconstrução do padrão de estética e consumo criada pela própria sociedade, a fim de proporcionar uma melhor qualidade de vida para a população, no qual o “ser você mesma” não seja alvo de críticas e apontamentos. Somente assim, poderá ser observado um país em que esses problemas poderão ser mazelas passadas na história brasileira, contribuindo para uma sociedade mais justa em que todos possam usufruir de seus direitos.