O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/09/2020
“Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”, disse Pierre Bourdieu, sociólogo francês. Assim sendo, percebe-se que a mídia social - responsável por mediar conhecimento - tornou-se uma grande inimiga da democracia no século XXI, posto que celebridades influenciam os jovens de maneira errônea com seus padrões de vida “perfeitos” e discursos de ódio.
Em primeiro momento, é possível entender o padrão de vida apresentado nas redes sociais como uma das principais influências para a nova geração. Tal influência é evidenciada a partir da análise do comportamento dos jovens, que compram os produtos exibidos, mudam suas aparências, entre outros, a fim de encontrarem a felicidade. De acordo com Joseph Goebbels, ministro de Hittler, uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade. Logo, entende-se que quando acompanha-se alguém que salienta a beleza do seu estilo de vida e o interliga com a felicidade começa-se a acreditar numa única realidade, tendo em vista os problemas psíquicos, financeiros, e outros, causados pelo desejo de ter a mesma qualidade de vida apontada.
Ademais, os discursos de ódio dos influenciadores é outro responsável negativo para a formação dos jovens. Compreender essa assertiva é reconhecer que tais celebridades atuam na formação das ideias da população e esses discursos contribuem, por exemplo, para a construção de pensamentos preconceituosos que afetam a sociedade democrática. Posto isso, tem-se a líder religiosa, Ana Paula Valadão, que manifestou comentários homofóbicos no Congresso Diante de Trono (2016), gerando, assim, comentários semelhantes de diversos fiéis na internet e, consequentemente, introduzindo tais ideias na cabeça dos adolescentes.
É necessário, portanto, ações suficientemente efetivas para combater os efeitos negativos dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Deste modo, cabe então ao Governo, em parceria com o Ministério da Educação e os próprios influenciadores digitais, criar campanhas, palestras, entre outras coisas, a fim de desmitificar a vida de glamour dos famosos. Além disso, é imprescindível que o Estado fiscalize o conteúdo oferecido na internet e notifique seus disseminantes, para que ideias preconceituosas e criminosas sejam descartadas das redes sociais.