O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 20/09/2020
Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “indústria cultural”, cuja ideia está relacionada a uma padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Basta um clic na internet e já sabemos de todas as milhares de novidades que rodeiam pelo mundo. O digital influencer hoje,é a chave para o engajamento público. Pode-se perceber que muitos deles têm mais influência do que apresentadores de TV, ou outros meios capazes de passarem uma informação articulada.
Sabendo da força dos influenciadores digitais, as empresas estão investindo nessas celebridades para divulgar seus produtos, devido ao grande alcance de público e na capacidade que eles têm de moldar comportamentos, já que conseguem se aproximar dos seguidores de uma forma natural e que desperta vontade de acompanhar as tendências de moda e estilo de vida. Isso se evidencia pela quantidade de publicidade que esses famosos fazem, no entanto, os pais devem orientar os filhos para não se tornarem alvos fáceis dessa estratégia de marketing, que muitas vezes, deixam a ética de lado em nome do estímulo ao consumo.
Além disso, é válido citar casos de atitudes preconceituosas de “youtubers”, que podem contribuir para a construção do caráter do jovem sob alicerces frágeis. Exemplo disso é Júlio Cocielo, cujas piadas foram consideradas racistas e repercutiram negativamente na mídia. Comportamentos como esse são inaceitáveis, pois reforçam estereótipos e distorcem a visão de mundo dos jovens. Nessa perspectiva, segundo o filósofo francês Jean Baudrillard, a sociedade moderna é caracterizada por embutir, em objetos e mercadorias, a simbologia do bem-estar. Isso é notório na glamourização recorrente de produtos e serviços por pessoas públicas na internet, perpetrando, assim, a noção do materialismo como símbolo de realização social. Desse modo, em decorrência dessa valorização inadvertida de bens materiais, cria-se nos jovens a ideia falaciosa de que o “ter” é mais importante que o “ser”.
Em suma, conclui-se que portanto, os influenciadores digitais têm poder de persuadir e inspirar o comportamento dos jovens brasileiros. Por isso, cabe aos pais e familiares verificarem o conteúdo dos vídeos assistidos nas plataformas onlines e alertar os filhos sobre a manipulação que existe na mídia, também sendo necessário que o Ministério da Educação, em parceria com escolas de rede pública e privada, instrua crianças e adolescentes sobre os malefícios do uso acrítico das mídias sociais. Isso pode ser feito por meio de debates com enfoque específico nas formas de persuasão exercidas por figuras populares na internet. Espera-se com isso desenvolver nos jovens uma inteligência emocional que permita fazer escolhas e julgamentos criteriosos, afastados da “indústria cultural”.