O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 17/09/2020

No início do século XX, houve a popularização do cinema norte americano, meio de comunicação utilizado com intuito de massificar a cultura e estimular o consumo. De maneira análoga, na contemporaneidade, há a presença de influenciadores nas redes sociais, no qual são responsáveis por divulgar produtos e um estilo de vida. Porém, essa influência tem causado impactos na formação dos jovens, como problemas psicológicos e atitudes consumistas.

Em primeira análise, os jovens estão em um processo de formação física e mental, não havendo total discernimento. Assim, com facilidade são atraídos pelo mundo virtual, em que há a exposição de pessoas felizes, com um corpo perfeito, capazes de realizar viagens e comprar produtos de marca. Em virtude de tentar ter uma vida similar, gera uma uma frustração por não obter êxito, contribuindo para o desenvolvimento de distúrbios como ansiedade, estresse, depressão e anorexia. Nesse mesmo viés, em um episódio da série “Black Mirror”, por exemplo, a personagem Lacie, sempre conectada ao celular, vive de maneira superficial com a publicação de fotos idealizadas nas redes sociais.

Ademais, segundo o filósofo polonês, Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea vive de maneira líquida, ou seja, as relações, os ideais e os bens materiais são estabelecidos de forma momentânea e inesperada. Ao seguir essa linha de pensamento, o consumo se tornou um elemento para saciar os desejos, mas também tem contribuído na construção da identidade, o “ter” passa a ser mais importante do que “ser”. Assim, é possível perceber que como as figura públicas digitais são capazes de manipular com facilidade o público juvenil, há o estímulo para a ascensão de uma população consumista, já que são constantes a divulgação de produtos no âmbito digital.

Logo, a fim de que haja a formação de cidadãos conscientes sobre os impactos da manipulação pelos meios de comunicação, o Ministério da Educação, em parceria com as empresas especializadas em tecnologia, deve implementar nas escolas a educação midiática, com a realização de seminários mensais - com a presença dos familiares -  para o debate de temas como a imposição de padrões estéticos e de consumo. Além disso, é preciso que as plataformas digitais monitorem e fiscalizem as publicações, sendo suspensos os conteúdos enganosos e inadequados, com intuito de que jovens não sejam persuadidos pelos “digital influencers”.