O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 21/09/2020
Após o advento da Revolução Tecnológica Científica, inúmeros povos passam por profundas transformações não só econômicas como, principalmente, sociais. Tal legado é incontrovertível no que tange ao impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens, visto que o meio de comunicação virtual atua como um agente construtor da realidade, produzindo e interferindo as percepções humanas. Nesse sentido, as celebridades virtuais tornam-se propagadoras de informações em massa, no qual moldam o comportamento dos jovens e os induzem a compra de produto. Sob esse ângulo social, nota-se a configuração de um grave problema, em virtude: da insuficiência legislativa e da globalização.
Antes de tudo, é imperioso salientar a insuficiência legislativa como influente na perpetuação desse revés. De acordo com John Locke, filosofo inglês, “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Nessa perspectiva, ao ser elaborada uma lei é necessário que ela seja planejada para a resolução dos problemas de uma sociedade. Não obstante, na questão digital, as leis não têm sido suficiente para a resolução do empecilho. Assim, a Lei Geral de Proteção de Dados, que, em teoria deveria garantir que menores de idade não tenham acesso a conteúdos inapropriados, torna-se inefetiva, haja vista que diversas redes sociais não têm um sistema de eficaz que consiga filtrar conteúdos inadequados dos demais. Em virtude disso, há, como consequência, o contato dos jovens com influenciadores digitais que os induzam a desafios que possam ser prejudiciais a saúde, como o “desafio da rasteira”, que segundo Eduardo Tempori, médico ortopedista, pode tanto levar a lesões na coluna quanto a morte.
Ressalta-se, ademais, a globalização como agravante ao imbróglio. Conforme Milton Santos, geógrafo brasileiro, em sua obra “Por Uma Outra Globalização”, é descrito que os avanços comunicacionais têm o poder de padronizar a forma de pensar, agir, e compreender o mundo. Desse modo, os grandes influenciadores padronizam a forma de pensar de seus seguidores, uma vez que um público homogêneo torna-se menos crítico e mais receptivo a diversos produtos, como maquiagens e roupas. Urge, então, a necessidade de aplicação de medidas remediadoras para solucionar o óbice.
Dessarte, é evidente que tais entraves precisam ser solucionados. Portanto, é mister que o Governo Federal - instância máxima da administração executiva - por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, deve elaborar um plano federal intitulado “Segurança Digital” no qual obrigará as as redes sociais a possuírem um algoritmo que funciona como um filtro, restringindo vídeos inadequados aos usuários menores de dezoito anos de idade. Nessa ação, é imprescindível a criação de palestras com especialistas no assunto, em parceria com as prefeituras, abordando o tema de forma pertinente. Assim, o fito dessas ações é mitigar os impactos nocivos dos influenciadores digitais.