O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 20/09/2020
Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, classifica o meio das redes sociais como uma armadilha da contemporaneidade. Seguindo essa linha de pensamento, é possível perceber que os influenciadores digitais contribuem de maneira problemática para formação dos jovens na sociedade. Nesse sentido, é importante analisar dois impactos: a crescente crise de identidade dos indivíduos e a exagerada prática do consumismo.
A priori, é necessário compreender a relação entre os influenciadores das redes sociais e a perda de identidade dos jovens e adolescentes. De acordo com o sociólogo e filósofo jamaicano Stuart Hall, atualmente, as pessoas se sentem cada vez menos pertencidas ao meio social por não conseguirem atingir o padrão de vida utópico e homogêneo vendido nas mídias digitais. Dessa maneira, é evidente que os influenciadores digitais contribuem para viabilizar esse falso ideal de vida perfeita e padrão a ser seguida, através da intensa apelação pela compra de determinadas marcas, obras culturais e até mesmo maneiras ditas perfeitas de relacionamentos interpessoais. Assim, os jovens estão cada vez mais suscetíveis ao processo de não pertencimento ao meio social por não conseguirem viver o padrão de vida estabelecido pelas redes, gerando um desconforto emocional que pode resultar em vários transtornos psicológicos como depressão e até mesmo suicídio.
Outrossim, observa-se uma elevação no consumismo entre jovens brasileiros por conta das influências pelos atores digitais. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional de Lojistas (CNDL) apenas 31% dos brasileiros são consumidores conscientes, ou seja, compram aquilo que realmente é necessário sem serem submetidos ao impulso de propagandas e ofertas. Diante desse dado, nota-se que a maioria dos cidadãos brasileiros não possuem um consumo consciente, assim, são induzidos principalmente pelos influenciadores digitais que estão a todo momento moldando o padrão de consumo de jovens e adultos, por meio do patrocínio de marcas nas quais investem em divulgações nas redes sociais. Sendo assim, fica evidente que atores digitais promovem transformações no comportamento de compra de adolescentes e jovens.
Infere-se, portanto, que a formação social dos jovens é submetida a influência de personagens com grande visibilidade nas redes sociais. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação promover investimentos na educação digital de jovens e adolescente - principalmente em escolas com maior número de alunos com acesso à internet- alertando-os por meio de palestras e cartilhas a respeito dos perigos que alguns influenciadores digitais oferecem na formação social do indivíduo. Assim, o Brasil poderá ter uma sociedade melhor para jovens e adolescentes.