O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 06/11/2020

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário dos impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens: uma inércia que perdura em detrimento do individualismo humano, além dos padrões de estética impostos aos internautas. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas ao uso indiscriminado das ferramentas disponibilizadas pela era digital não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é umas das principais características - e o maior conflito - da pós-modernidade e, consequentemente, frações da nação tendem a ser incapazes de conviver com as diferenças. De maneira análoga, tal individualidade promove o consumo exacerbado da internet e, com a popularização dos influenciadores digitais, a procura de “digitais influencers” que compartilham dos mesmos costumes e hábitos do usuário, o que promove um meio estático, acarretando em um distanciamento cada vez maior entre pessoas e grupos sociais com praxes distintos ao invés da pluralidade de experiências e informações que poderiam ser partilhadas e aprendidas.

Sob outro prisma, faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, disse em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Posto isto, possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: a atual conjuntura da imposição de padrões de beleza imposta por muitos dos influenciadores é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Por conseguinte, tal manipulação sofrida pelo os seus seguidores, que muitas vezes são adolescentes, provoca um fetiche de corpo ideal e de hábitos a serem seguidos, o que pode acarretar em doenças - como a depressão - e distúrbios - como a anorexia em consequência da busca frustrada pelos padrões impostos à população.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Sendo assim, é necessário que a mídia, por meio de informativos, novelas e seriados, propague a importância do multiculturalismo na formação do indivíduo como um todo, a fim de que a população busque consumir informações e praxes em meios não costumeiros. Além disso, é necessário que o Poder Legislativo imponha punições, por meio de leis, aos influenciadores que promovem a difusão de estereótipos inalcançáveis. Dessa forma, alcançar-se-á uma rede menos tóxica, pois como alegou o poeta Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.