O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 17/12/2020

A mais recente edição do tradicional programa televisivo “Big Brother Brasil”, ineditamente, teve a participação de influencers digitais. Estrategicamente, o reality, cuja audiência apresentava queda, buscou com isso agradar ao público jovem, principal telespectador - uma prova da influência dessas personalidades nas crianças e adolescentes brasileiros. Urgentemente, deve-se compreender tal influência como maléfica sem negar o fato da onipresença do digital na vida juvenil.

Precipuamente, a Internet é onipresente, notadamente, no cotidiano dos jovens. Embora 20% dos lares brasileiros não tenham acesso à rede, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia), é inegável que se vive a era dos “smartphones”, a geração Z. Nesse sentido, é comum ver crianças já imersas na tecnologia. Fundamentalmente, tal ampla acessibilidade é impulsionado pelo fato das principais redes sociais serem gratuitas, de fácil navegabilidade e, quando limitadas a restrições etárias, facilmente burláveis. Ademais, o celular, diferentemente da televisão, é móvel e a Internet não limita os usuários a programações fixas, dada a livre e ampla gama de conteúdo. Naturalmente, influencers justificam o apelido : a partir de uma audiência ampla, fiel e, sobretudo, jovem possuem alto grau de engajamento.

Entretanto, tal influência é, muitas vezes, negativa. Em outras palavras, em meio a plataformas já altamente propagandeadas - garantia da gratuidade já citada-, os influencers divulgam marcas e serviços. Como exemplo, a publicidade infantil - proibida nos meios televisivos - não possui restrições nas redes sociais e, assim, youtubers, como Lucas Neto, anunciam filmes e produtos licenciados diante de um público (infantil) sabidamente manipulável. Por outro lado, influencers de plataformas fotográficas disseminam ideiais de beleza, de uma vida perfeita e popularizam o uso de filtros (editores de imagens), algo que, segundo psicólogos, pode concluir em transtornos alimentares e psicológicos, uma vez que a adolescência caracteriza-se por alterações hormonais e marca o início da construção do autoconhecimento. Surpreendentemente, mesmo a política atrai youtubers com milhões de seguidores, como o deputado Arthur do Val. Com efeito, as autoridades precisam se atentar a essa relação - entre influencers e jovens -  com pouca regulamentação, mas de impacto social significativo e duradouro.

Em suma, a acessibilidade promovida pelas redes garante a influencers digitais uma grande audiência sob influência danosa. Sabiamente, o Executivo deve junto do Legislativo, por meio de regulamentação, impor restrições ao mundo digital, tais como a proibição da publicidade infantil em vídeos e a elaboração, pelas plataformas, de propaganda lúdica que alerte aos problemas discutidos, para que a juventude tenha segurança fora do mundo real. Só assim, a alienação digital terá fim.