O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 27/09/2020

O filme “Modo avião” retrata a era onde as redes sociais reproduzem um mundo de tecnologias e riscos à saúde física e mental dos usuários. Na obra, a protagonista – uma jovem “influencer” – enfrenta grandes dificuldades de socialização por, ocasionalmente, não ter acesso à internet. De maneira análoga à história fictícia, segue a atual sociedade brasileira: repleta de “pessoas do marketing” que narram uma “vida perfeita” e, ao mesmo tempo, alienam grande parte dos jovens ora ao consumo, ora aos hábitos de vida, consolidando uma geração digital, o que é grave.

É relevante abordar, de início, que desde o nascimento da internet, por volta de 1969, as relações interpessoais e a comunicação vêm sofrendo constantes mudanças. Uma prova disso é a relação dos consumidores com as empresas, através do marketing da influência, no qual pessoas com popularidade nas mídias sociais, a exemplo do Instagram e do “Facebook”, interagem com seus “followers”, induzindo a aquisição de produtos que estão em tendência, o que alimenta a formação de jovens com a ideia da valorização das pessoas que têm o poder de compra – o ter – em detrimento daquelas que não dispõem de recursos para o consumo de tais mercadorias, prejudicando, assim, as relações interpessoais e contrariando o que para Karl Marx é fundamental: A essência humana, cuja existência provém das relações sociais.

Paralelo a isso, vale também questionar o papel que os influenciadores digitais exercem no que se refere à busca pela felicidade por seus seguidores. O grande líder político do século XX, Mahatma Gandhi, afirmou que a felicidade não está em viver, mas em saber viver, isto é, em quem melhor vive. Ademais, um estudo realizado pela revista Exame revela que cerca de 77% dos consumidores têm como base as opiniões, os “reviews” e as informações dos influenciadores na sua jornada de compra. Tudo isso traduz a responsabilidade que os atores digitais têm no estilo de vida das pessoas, uma vez que são o ponto crucial utilizado pelas empresas a para fortalecer a relação marca-público, aumentando a visibilidade dos produtos, o lucro e, consequentemente, a ilusão de que o bem-estar social – a felicidade – se resume em fazer parte da “onda da tendência”.

Registra-se, portanto, o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Diante disso, cabe ao do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, impor mecanismos que limitem horários e conteúdos de marketing digital, nas mídias sociais. Ademais, concerne ao do Ministério da Educação, criar e/ou intensificar a educação digital em todas as escolas brasileiras, promovendo, mensalmente, eventos abertos para os jovens e suas famílias, a fim de instruí-los quanto à navegação saudável na internet. Por conseguinte, essas medidas teriam o fito de aumentar os laços sociais entre os jovens. Logo, poder-se-á alcançar uma sociedade diferente daquela retratada em “Modo avião”.