O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 07/10/2020
Segundo Karl Marx “o homem é, em sua essência, produto do meio” sendo assim, fica evidente o impacto das relações sociais nos indivíduos. Nesse viés, atualmente, no Brasil, nota-se que esse impacto foi potencializado pela disseminação da tecnologia e popularização do meio digital, no qual os produtores de conteúdo ocupam posição de destaque e relevância. Entretanto, apesar da relevante participação dos influenciadores para o estimulo ao consumo, pouco desse poder de influência é direcionado em prol da formação cidadã.
Em primeiro plano, é valido ressaltar, a relevância dos influenciadores digitais no campo econômico. De acordo com o conceito de Industria Cultural, que teve como um dos principais precursores o sociólogo Adorno, há uma cultura premeditada que torna o homem subserviente ao consumismo. Nesse sentido, observa-se a participação dos influenciadores nessa indústria de forma direta e indireta, uma vez que além dos patrocínios adquiridos e propagandas requisitadas de maneira oficial, há a preconização de um estilo de vida que tem como base a supervalorização da estética, de aquisições materiais e de serviços. Prova disso, em 2020, a revista Forbes apontou o Brasil como quarto maior consumidor de cosméticos do mundo, creditando parte do feito ao ambiente digital.
Paralelo a isso, é importante evidenciar, o mal uso do alcance dos influenciadores para a conscientização do publico geral. O trecho “Anestesiados pelas novidades vistas pelo insta e na televisão, nós compartilhamos nossa insensibilidade” da música “Sobrevivente” de Gabriel, O pensador, retrata o efeito da formação de um publico com alto potencial consumidor, entretanto desprovido de valores de empatia e cidadania. Essa combinação mostra-se nociva para toda a sociedade dentro e fora do meio digital, ao propiciar o desenvolvimento de relações superficiais, a alienação e prejuízos a saúde mental dos indivíduos que passam a associar ideias como a da realização pessoal e da felicidade ao consumo.
Dado o exposto, torna-se imprescindível a adoção de uma postura capaz de reverter o quadro e proporcionar o desenvolvimento coletivo. Para isso, cabe ao Ministério da Educação estabelecer mais parcerias com os influenciadores digitais, por meio da destinação de recursos, visando fomentar a criação de conteúdo voltado para a conscientização e desenvolvimento da cidadania. Aliado a isso, é válido a ação do mesmo agente de adotar o modelo de educação proposta por Paulo Freire, por meio da reformulação do atual sistema de ensino, com o objetivo de formar cidadãos dotados de senso critico, contribuindo para o aumento da demanda por conteúdos socialmente engajados.