O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 03/10/2020

Na série televisiva “Black Mirror”, em um de seus episódios, é retratada a influência de uma cantora sobre seus seguidores, que eram majoritariamente adolescentes, e como suas ações seriam um exemplo a eles. Fora de ficção, está cada vez mais comum essa situação, no qual diversos jovens se espelham em famosos e em tudo que é feito por eles. Dessa forma, essa inspiração deve ser analisada, já que é intensificada pela falsa imagem de perfeição que a mídia retrata, e tem como consequência o alienamento e a falta da identidade própria dos influenciados.

Mormente, é imperioso destacar que nas redes sociais os usuários mostram uma aparência física, emocional e financeira perfeita para seus seguidores. Tal fato é visto no filme “Unpregnant” no qual, apesar da protagonista estar em apuros e cheia de problemas pessoais, ela não deixa de fazer postagens e manter sua boa imagem apresentada virtualmente. Dessa forma, diversos adolescentes se espelham em ideal de vida falsificado que existe apenas nas redes sociais, pois, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, as redes sociais são úteis, contudo são uma armadilha. Isso pode desencadear problemas psicológicos aos jovens que almejam ter uma vida que nem o próprio influenciador possui, como a busca pelo corpo perfeito.

Por conseguinte, vale ressaltar que vários indivíduos ao se espelhar em outras pessoas podem perder sua autocrítica e opinião própria. Consoante uma pesquisa da Youpix, 90% dos entrevistados, com 18 a 34 anos, já se inspiraram em influenciadores nas redes sociais. Análogo a esses dados, é notório que os jovens e adultos buscam se assemelhar as pessoas que seguem sejam em marcas e produtos ou até mesmo em opinião política e social. Isso tem pontos positivos como a maior disseminação do conhecimento na internet entretanto pode formar pessoas cegas que se identificam com doutrinas desrespeitosas e a perca da essência individual.

Destarte, é indubitável a necessidade de mudanças. Cabe a mídia, juntamente ao Ministério da Educação, proporcionar anúncios explicativos que possam ser passados na televisão e na escola, por meio de vídeos e propagandas, a fim de explicar a farsa das redes sociais e em como se proteger de más influências e não perder sua autenticidade. Dessa maneira os jovens e adultos podem se inspirar com cautela e formar sua opinião própria, evitando problemas psicológicos e frustrações, amenizando o imbróglio retratado nos filmes supracitados.