O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 08/10/2020
De acordo com o filósofo Pierre Lévy, as sociedades atuais são hiperconectadas e, por isso, a cultura virtual afeta diretamente a vida das pessoas. Nesse sentido, influenciadores digitais exercem um papel importante na construção da mentalidade de seus seguidores, sobretudo dos mais jovens, pois os “influencers” são responsáveis, pelo menos em parte, por mudanças no padrão de consumo e em padrões comportamentais dessa parcela da população brasileira.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o estímulo ao consumo é o principal impacto causado por esses produtores de conteúdo digital nos jovens brasileiros. Isso acontece porque, segundo o filósofo Karl Marx, o capitalismo, sistema econômico vigente no país, cria necessidades de consumo por meio da atualização constante de seus produtos e da utilização da propaganda. Com efeito, levando-se em consideração o papel dos influenciadores digitais na divulgação de mercadorias através das redes sociais, pode-se compará-los a novas engrenagens da máquina capitalista que se aproveita da imaturidade dos jovens para transformá-los em seres para o consumo. Assim, é preciso educar os jovens para que eles tenham autonomia em relação ao consumo.
Além do estímulo ao consumismo, esses produtores de conteúdo digital também são responsáveis por influenciar o comportamento de jovens em relação a questões sociais. Isso se deve ao fato de que, a fim de atrair seguidores e empresas, os “influencers” precisam manter seus perfis sempre atualizados. Com esse objetivo, muitos deles, mesmo sem credibilidade para versar sobre tais assuntos, “postam” conteúdos sobre política, saúde e finanças, por exemplo. Isso representa um risco para a sociedade e, principalmente, para os mais jovens, pois como suas mentalidades ainda estão em formação, eles, normalmente, têm uma menor capacidade de discernimento e, consequentemente, ficam mais vulneráveis à propagação de “fake news”, ao desenvolvimento de distúrbios alimentares e à sofrer prejuízos em operações financeiras. Dessa maneira, é preciso desenvolver ferramentas que permitam aos jovens identificar conteúdos digitais de qualidade.
Conclui-se portanto que, a fim de reduzir o impacto dos “influencers” na formação dos jovens brasileiros, o Ministério da Educação deve fomentar, nas escolas, o desenvolvimento do senso crítico em relação ao consumo. Isso deve ser feito por meio de alterações nas Diretrizes Curriculares Nacionais relacionadas ao ensino da geografia. Estas mudanças devem favorecer debates dentro e fora de sala sobre as cadeias produtivas das mercadorias e sobre os impactos socioeconômicos de seu consumo. Outrossim, o Poder Legislativo deve elaborar leis que obriguem as redes sociais a criar certificados de qualidade do conteúdo emitido por influenciadores digitais.