O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 12/10/2020
No episódio “Queda Livre”, da série britânica “Black Mirror”, é apresentada uma realidade em que os valores sociais são moldados pela internet. Fora da ficção, em paralelo, nota-se que influenciadores digitais desempenham cada vez mais relevância na rotina das pessoas, mormente na dos jovens. Entretanto, percebe-se que tal relevância muitas vezes resulta em consequências negativas, dentre as quais podem ser citadas a indução ao consumismo e, como efeito, a perspectiva materialista do “ser”.
Primordialmente, cabe destacar que os “digital influencers” constantemente normalizam a atitude consumista em suas propagandas, as quais atingem em sua maioria a juventude. Isso ocorre devido fato de que o marketing feito por eles, imprudentemente e de forma ocasional, associa marcas e produtos a uma visão de satisfação pessoal, idealizando, assim, o consumismo nesta faixa etária. Segundo pesquisa da Youpix, empresa especialista no mercado digital, apenas 10% dos jovens e adolescentes ainda não foram impactados por influenciadores na internet.
Ademais, como efeito, observa-se uma valorização excessiva de objetos por muitos dos criadores de conteúdo. Segundo Aristóteles, a ausência de bens materiais pode comprometer a felicidade, mas a presença destes não basta para alcançá-la. Contudo, é notável, com frequência, em diversas propagandas de pessoas públicas, uma posição contrária ao filósofo, mostrando a perspectiva materialista como modelo de realização individual plena. Desta forma, em virtude dessa valorização imprópria aos produtos, cria-se nos jovens a ideia de que “ter” é mais importante que “ser”.
Haja vista disso, é necessária uma solução para resolver estas consequências. De início, o Ministério da Educação, ligado com a rede de escolas pública e privada, deve instruir crianças e adolescentes sobre o uso inconsciente da internet. Será através de debates e discussões nas salas de aula, visando as formas de convencimento utilizadas pelos influenciadores, a fim de que os jovens sejam menos suscetíveis à persuasão destes nas mídias, diferindo, assim, do enredo de “Black Mirror”.