O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 20/03/2021
Em sua teoria da “Tábula rasa”, o filósofo John Locke exprime a ideia de que o ser humano é como uma folha em branco, a ser moldada por suas experiências. De forma análoga, faz-se evidente o impacto exercido pelos influenciadores digitais, principalmente na formação da juventude, uma vez que esses indivíduos, por falta de experiências, tornam-se mais suscetíveis a tais influências. Dessa forma, são prementes medidas para minimizar o impacto negativo dos influenciadores, tais como: a fomentação ao consumismo e a criação de padrões estéticos oníricos.
A divulgação constante de produtos nas mídias pelos influenciadores contribui demasiadamente para o incentivo ao consumismo, através do fenômeno denominado “Fetichismo da mercadoria”. Segundo Marx, precursor na explicação desse fenômeno, os bens de consumo transformam-se em objeto de desejo intenso e, como se ganhassem vida própria, transmitem a ideia de que são essenciais na vida do público, mascarando as relações de trabalho envolvidas nas etapas de sua produção. Assim, é possível observar uma supervalorização alienada do “ter”, principalmente pela juventude, em detrimento do “ser”, provocando uma grande superficialidade nas relações sociais contemporâneas.
Outrossim, a exposição da juventude à uma vida luxuosa e sem defeitos nas redes sociais, rapidamente associada a modelos de beleza característicos, auxilia na formação de padrões estéticos fantasiosos. Esses padrões pré-moldados, no entanto, não representam a realidade da maioria dos indivíduos, contribuindo para um descontentamento pessoal e, consequentemente, a realização desenfreada de procedimentos estéticos. De acordo com dados divulgados pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países que mais realizam cirurgias plásticas no mundo, com um aumento vertiginoso de mais de cem por cento no número de intervenções cirúrgicas nos últimos quatro anos. Desse modo, faz-se notório o impacto dos influencers, como são popularmente conhecidos, na construção de modelos irrealistas e suas repercussões no comportamento de uma sociedade jovem e insegura.
Por conseguinte, os impactos negativos dos influenciadores digitais na juventude tornam-se alvos imperiosos de medidas visando seu combate. Diante disso, é necessário que o Ministério da Educação promova seminários socioeducativos nas escolas de âmbito público e privado, mediante palestras com psicólogos e especialistas, com o intuito de minimizar os efeitos nocivos desses influencers para a formação dos jovens. Destarte, a juventude contemporânea tornar-se-á preenchida e deixará de ser tão influenciada pela mídia, como uma tábua rasa.