O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 12/10/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão dos impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da priorização de interesses financeiros e do consumismo por parte dos influencers.

Em primeiro, plano é preciso atentar para priorização de interesses financeiros presente na questão. Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, cunhou o conceito de Indústria Cultural para criticar a desvalorização da arte no contexto do capitalismo cultural. Diante dessa perspectiva, problemas como o da romantização de uma vida sem tristezas, cercada por luxo e viagens, pregada pelos influenciadores da internet, florescem em virtude da supremacia de interesses financeiros, que acabam por ganhar grandes proporções. Assim, tem-se como consequência jovens depressivos, ansiosos, com vários transtornos mentais, que acreditam que somente eles passam por problemas e dificuldades na vida, podendo levar até ao suicídio.

Em consequência disso, surge a questão do consumismo que intensifica a gravidade do problema. Nesse sentido, o conceito de “sociedade de consumo” se torna bastante útil, pois é um termo utilizado para designar a sociedade que se caracteriza pelo consumo massivo, uma consequência latente na questão das influencias das mídias sociais. Platão contribui para a discussão ao definir que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que não se tem. Nesse sentido, percebe-se uma analogia entre o amor platônico e o consumo, gerando, então o consumismo, que tanto prejudica os jovens a serem influenciados positivamente pelos influencers.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que ONG´S especializadas em consumo consciente e influenciadores considerados modelos - que pregam a vida real, com dificuldades, tristezas mas também felicidades e prazeres - em parceria com o governo federal, elaborem cartilhas sobre os impactos dos influenciadores digitais na vida dos jovens brasileiros. Tais cartilhas devem ser disponibilizadas nas redes sociais e distribuídas nos grandes centros urbanos, utilizando papel reciclável para a impressão. O objetivo deve ser abordar o impacto do consumismo e sugerir métodos alternativos de como ser um influenciador consciente com responsabilidade. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora no que tange á questão dos impactos causados por influenciadores digitais nos jovens do país.