O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 12/10/2020

Youtube, Instagram, Twitter e Snapchat. Os influenciadores digitais estão por todas as partes nas redes sociais. Além disso, no atual modelo econômico, esses profissionais se tornaram uma ferramenta da indústria para criar padrões e estimular o consumo, principalmente, dos mais jovens. Nesse sentindo, é necessário discutir não só a relação dos influenciadores digitais com o modelo econômico, mas também da influência desses com problemas na formação dos jovens.

Cabe ressaltar, a priori, que, no modelo neoliberal, o lucro é o mais importante e, no intuito de vender, as empresas criam diversas ferramentas de coerção social. Um exemplo dessa problemática é apresentada na Teoria da Indústria Cultural - estudada por Theodor Adorno - a qual discute as mídias sociais como meio de massificação e alienação da população para o consumo. No contexto atual, os blogueiros têm colaborado com essa formação e padronização dos pensamentos dos mais jovens pelos meios midiáticos. Isso é evidenciado, por exemplo,  segundo dados do Qualibest, os quais demonstram que as personalidades digitais tem influência na compra de 49% dos produtos para o público jovem. Tal dado demonstra o poder de manipulação que desses influenciadores possuem nessa população e o quanto são importantes para o capital e na criação de padrões de consumo juvenis.

Somado a isso, as redes sociais e a formação de padrões hegemônicos, por meio dos blogueiros, estão afetando a socialização e saúde mental das novas gerações. Isso porque, no intuito de estimular o consumo, a indústria cria padrões inalcançáveis e, dessa forma, gera um sentimento de frustração nos indivíduos. Conforme a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, com a popularização das mídias sociais e a presença de tais manipuladores do comportamento, houve um aumento da depressão e distúrbios de ansiedade na população abaixo dos 30 anos. Desse modo, fica clara a relação das personalidades digitais no processo da formação e saúde psicossocial dos jovens.

Torna-se evidente, portanto, que os influenciadores digitais podem contribuir em problemas  na formação e bem-estar dos jovens. Por isso, é importante que o Ministério da Educação crie programas e campanhas para orientar essa população a usar as redes sociais e controlar a influência da internet  e da indústria  nas suas vidas. Tal ação deve ocorrer por meio da implementação nos currículos pedagógicos escolares, a partir do sexto ano, conteúdos sobre ferramentas digitais, uso de recursos online e redes sociais, além de campanhas nos meios midiáticos para estimular o senso crítico e reflexivo da juventude sobre manipulação dos usuários da internet e a Indústria cultural. Desse modo, haverá uma maior conscientização e menor influência dos blogueiros no grupo juvenil e, com isso,  melhoria da saúde e dos problemas psicossociais dessa população.