O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 14/10/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens, hodiernamente, verifica-se que  esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste de maneira intrínseca ligada à realidade dos usuários da internet, seja pelo afastamento das pessoas do mundo real para o virtual, ou pela imposição de modelos corporais e sociais.

É indubitável que o hábito impulsivo de checar as redes sociais esteja entre as causas do problema. Segundo Jean-Jacques Rousseau, o homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado. Como é possível observar na sociedade, os jovens, adolescentes e crianças acabaram acorrentados por algoritmos, sistemas de recomendações, à tela de seus telefones, desse modo passando menos tempo com a realidade do mundo.

Outrossim, destaca-se a imposição de modelos corporais e sociais como impulsionador do problema. De acordo com Martin Luther King, nossas vidas começam a acabar no dia em que nos calamos sobre as coisas que importam. Seguindo essa linha de pensamento, o silêncio dos jovens diante de um padrão de beleza estabelecido, traz consigo uma disseminação de ideais que oprimem a liberdade da diversidade de corpos. E nesse mesmo silêncio, um indivíduo se torna incapaz de expressar seus posicionamentos divergentes dos padrões.

É evidente, por tanto, que ainda há muitas políticas éticas a serem estabelecidas em sites de influência social que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, os algoritmos, devem ser moderados, promovendo um equilíbrio entre o uso e o não uso das tecnologias. Como já dito por Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Logo, os influenciadores digitais devem estimular discussões sobre as diversas formas de existência da beleza e a expressão de opiniões, a fim de que a sociedade se desprenda de correntes e tabus para que não vivam a realidade das sombras, assim como a alegoria de Platão.