O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 26/11/2020
No mito grego de Narciso, o personagem que nomeia a história afoga-se em um lago, consequência de este contemplar incansavelmente seu reflexo na água. Nesse sentido, na contemporaneidade, as reencarnações de Narciso são representadas pelo culto ao corpo perfeito e à comercialização da beleza, frequentes e enraizadas na sociedade. No entanto, tais ideais foram influenciados e potencializados pelo fenômeno dos influenciadores digitais, que pela aparente proximidade com seu público jovem, o influencia a consumir e seguir padrões, agravando a problemática já existente, sobretudo nos mais novos, que são a maior parte de sua audiência.
Em primeiro plano, o culto ao corpo nos jovens é resultado da padronização da sociedade, magnificada pelos influenciadores. Nesse viés, o sociólogo Karl Marx desenvolveu o conceito de fetichização da mercadoria, segundo o qual o ser humano atribui pode sobrenatural a um produto ou característica, passando a cultuá-la. Ocorre que, nos rapazes e moças, essa busca pelo corpo perfeito, motivada, muitas vezes, por vídeos e fotos de blogueiros, pode levar a distúrbios, como a anorexia e a bulimia, que prejudicam o desenvolvimento numa fase imprescindível. Assim, enquanto a idealização do corpo for a regra, uma juventude saudável será a exceção.
Ademais, a onda consumista motivada pelos moldadores de opinião na internet representam grave problema à sociedade, na medida em que geram o consumismo nos jovens, que podem levar tal hábito por toda a vida. Nessa perspectiva, o filósofo Theodor Adorno, pelo conceito de ‘‘Indústria Cultural’’, afirma que a mídia, em especial, na atualidade, nas redes, veicula propagandas constantes e coercitivas, que visam a gerar um ímpeto de compra em seu público. No que tange aos influenciadores, estes moldam, de forma intensa, os hábitos e pensamentos dos jovens, motivando-os a comprar determinados produtos ou serviços, o que forma nesses um caráter capitalista excessivo, o que acarreta entraves a sua vida financeira e social.
Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que as escolas, em conjunto com psicólogos, promovam palestras e atividades que valorizem a autoestima dos alunos, visando à sua libertação da coerção negativa dos influenciadores. Para tanto, nesse projeto, chamado de ‘‘Cada Beleza Conta’’ poderiam ser feitas dinâmicas de reconhecimento da beleza própria e da incoerência de padrões num país tão diverso, tornando, desse modo, o Brasil numa nação justa, fraterna e solidária.