O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 30/10/2020
“American Way of Life” foi o estilo de vida estadunidense propagado a partir do período entreguerras, que incentivava o consumismo e a adoção de padrões comportamentais a partir de campanhas midiáticas. Semelhantemente, na sociedade hodierna, o meio digital é usado para moldar decisões de compra e estilo de vida, por meio de influenciadores que alcançam jovens e têm o potencial de produzirem mudanças positivas na sociedade.
Constata-se, em primeiro plano, que, de forma descrita pela Escola Frankfurt, as mídias de massa modelam padrões comportamento, e têm grande poder na sociedade capitalista. Nesse sentido, os influenciadores digitais, que emitem suas opiniões sobre produtos e participam de campanhas de marketing, estimulam a compra por parte de seus expectadores, muitas vezes, de modo a implantar a necessidade de consumo. Outrossim, de acordo com o levantamento da empresa Hootsuite, a maior porcentagem de pessoas que usam rede sociais é composta por jovens. Assim, infere-se que nessa faixa etária o impacto dos formadores on-line de opinião é mais intenso. Ademais, “influencers” também modelam padrões de beleza, o que afeta negativamente pessoas que não se identificam com o que é apresentado como ideal. Desse modo, essas pessoas buscam sua inserção por meio da obtenção de produtos que prometem a estética perfeita e inalcançável, o que também afeta os padrões de compra.
Sabe-se, ainda, que, conforme a instituição Royal Society for Public Health, redes sociais podem ter impacto positivo na sociedade, o que se estende para a atuação dos influenciadores digitais. Sob esse viés, referências positivas são divulgadas e incentivadas por meio dessas figuras públicas, tal qual a moda sustentável, que promove a compra de marcas que minimizem impactos sociais e ambientais. Além disso, espaços de representatividade são ocupados por influenciadores advindos de grupos excluídos, o que incentiva o debate de preconceitos arraigados na sociedade. Tal processo exemplifica-se por meio de Lorrane Silva, humorista acometida por uma síndrome rara de saúde, que, como influenciadora, traz visibilidade para a igualdade dos cidadãos, independentemente de suas condições físicas. Não obstante, as redes também podem ser usadas para o compartilhamento de padrões benéficos de comportamento, haja vista os “studygrams”, perfis no Instagram que incentivam o estudo e organização dos que os acompanham.
Dado o exposto, portanto, a sociedade civil deve se mobilizar e pressionar companhias de redes sociais, como o Instagram, para que elas divulguem vídeos informativos sobre os malefícios do consumo excessivo. Por fim, influenciadores plurais e que manifestem hábitos positivos devem ser divulgados nos vídeos, para popularizar um estilo de vida mais benéfico que o “American Way of Life”.