O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 04/11/2020

Na época de Émile Durkheim, a cultura social era internalizada nas pessoas a partir de padrões sociais impositivos, mormente pela atuação das famílias. No entanto, com a popularização de redes tecnológicas, o monopólio da educação juvenil migrou da seara familiar para a pública, posto que fora terceirizada aos influenciadores digitais. Logo, em razão de serem desconhecidos ao convívio familiar, é preciso ter cautela com  o impacto que possam causar na formação de crianças e adolescentes.

Em primeiro lugar, é importante considerar que a juventude brasileira é vulnerável. Tanto que, de acordo com o Conselho Federal de Psicologia, ela é mais ingênua e suscetível às informações exteriores, seja pela pequena bagagem de vida, seja pela inexperiência em julgar corretamente valores sociais. Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é prevalente entre jovens de 10 a 19 anos, o que, com efeito, intensifica sua fragilidade. Logo, são facilmente influenciáveis.

Na outra ponta do relacionamento, temos os influenciadores digitais. Ou seja, são pessoas que projetam aos seguidores uma vida artificialmente perfeita em mídias sociais. Nesse passo, podem divulgar conteúdos relevantes, como o canal educacional Manual do Mundo no Youtube, mas, em contrapartida, podem estimular aventuras nutricionais, como Mayra Cardi no Instagram, que, mesmo sem estar inscrita como nutricionista no Conselho Federal de Nutrição (CFN), prescreve complexas dietas que vendem a ilusória ideia de alcançar a beleza da sociedade de consumo.

Portanto, é preciso defender melhor a juventude da exposição a informações duvidosas. Nesse caso, é necessário que o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) colha assinaturas suficientes para que possa, por meio de um abaixo assinado, apresentar um projeto de lei ao Congresso Nacional. Por meio desse documento, poder-se-á regulamentar a função de influenciadores digitais, exigindo, por exemplo, tal como no jornalismo, a formação em áreas específicas para divulgar conteúdos técnicos. Dessa forma, a juventude brasileira estará menos exposta a riscos indesejados.