O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 05/11/2020

O artigo vinte e três da Constituição da República Federativa do Brasil garante combater a pobreza e os fatores de marginalização. Entretanto, a tecnologia, apesar do seu lado positivo de ampliar horizontes, informar e trazer lazer, apresenta uma face excludente que prejudica a parcela da população mais carente. Dessarte, para um debate aprofundado a respeito das influências que atingem os indivíduos no dia a dia, é preciso analisar o impacto da valorização material e da aparência e qual é o limite da opinião de influenciadores na formação das considerações dos cidadãos.

Em primeira instância, cabe ressaltar a importância das evoluções tecnológicas. Sendo assim, com a revolução técnico científico informacional, os meios de comunicação passaram a ocupar um espaço na vida do corpo social e tornaram-se essenciais para a praticidade ao diminuir o tempo de execução e facilitar o contato. Contudo, apesar da globalização ter garantido eficiência, trouxe alguns prejuízos como a aparência de vida perfeita exposta nas redes sociais, e, desse modo, problemas em relação à saúde mental. De maneira análoga, o teórico polonês Zygmunt Bauman apresenta a modernidade líquida, na qual as coisas se tornam fluídas e o excesso de informação resulta na individualidade e a pessoa não consegue uma identidade, ficando à deriva em sociedade.

Ademais, a volatilidade e a reprodução de conteúdos não analisados cria um conjunto de ideias que são apenas compartilhadas de pessoa para pessoa. Dessa forma, a propagação de informações se torna automática, sem a reflexão precisa e a formação de opiniões próprias e torna todos especialistas no assunto. Concomitante a isso, os sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer expõem a teoria da Indústria Cultural, em que há a massificação das notícias e a reprodução da ideologia dominante, transformando a ideia de um único indivíduo em produto. Desse modo, o pensar por si idealizado desde a época socrática se torna um segundo plano e se ressalta a opinião de pessoas influenciadoras, que não são necessáriamente  a verdade em todas as situações, assim como os sofistas na antiguidade.

Em suma, para resolver a problemática da valorização das aparências exteriores e da não formação de ideias próprias, medidas são necessárias. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, oferecer palestras e atividades relacionadas à saúde mental com rodas de conversas nas turmas, para ressaltar a importância de olhar para dentro de si mesmo. Outrossim, a família, juntamente com as escolas, orientar sobre a vida acadêmica e o valor de formar suas próprias convicções baseadas em estudos. Assim deve separar um tempo durante as aulas e conversar sobre oportunidades e pensamentos, tornando as aulas mais didáticas por meio de debates, para aumentar o interesse dos alunos. A tomada dessas atitudes deverá atenuar o problema e cumprirá a Carta Magna.