O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 13/11/2020

A Constituição Federal, promulgada em 1988, assegura aos brasileiros e residentes no país garantias fundamentais, dentre elas o direito à liberdade. No entanto, no que concerne ao livre-arbítrio na era digital, nota-se que as normas presentes na Carta Magna não são eficientes, visto que blogueiros utilizam-se de suas posições sociais privilegiadas para moldar a população em prol de seus interesses. Esse cenário ocorre em razão da educação deficitária em conjunto com a insuficiência legislativa. Logo, faz-se necessário analisar os impactos dos influenciadores na formação do jovem.

Em primeira análise, é fato que a ausência educacional contribui para a existência da questão. Segundo Kant, filósofo prussiano, o homem é o resultado da educação que teve. Sob essa ótica, apesar da escola lecionar disciplinas como Filosofia e Sociologia – que visam ensinar a obtenção de conhecimentos de forma racional – não orienta seus discentes a aplicar o aprendizado em seu cotidiano. Dessa forma, o adolescente torna-se manipulável, uma vez que sua decisão depende das indicações de seu ídolo. De acordo pesquisa realizada, em 2019, pela “Qualibest “, 55% dos entrevistados afirmaram que costumam consultar a opinião de criadores digitais de conteúdo antes de efetivarem uma compra importante. Assim, indubitavelmente, cria-se cada vez mais um país alienado.

Ademais, a ineficiência das leis corrobora para permanência do problema. Conforme, o filósofo Zygmund Bauman, vive-se atualmente um período de liberdade ilusória. Nesse viés, a internet tem o poder de beneficiar pessoas na busca por informações, entretenimento e negócios. Entretanto, quando “influencers” utilizam de suas prerrogativas para incitar usuários a ter determinada conduta, o que era para ser instrumento de apoio torna-se sujeição. A exemplo do exposto, cita-se Ava Louise, influenciadora que utilizou de seu perfil no aplicativo “Tik Tok” para lançar o desafio Coronavírus, o qual ela lambe a privada de um avião e afirma ser imune ao vírus. Todavia, não foi indiciada por não haver uma lei específica para o caso. Por fim, fica claro que as normas precisam serem adequadas à contemporaneidade para que os jovens não tenham sua personalidade delimitada por criadores de conteúdo.

Portanto, medidas são necessárias a fim de amenizar o quadro atual. Com o intuito de resguardar a construção dos ideais juvenis, faz-se necessário que o Ministério da Educação invista, por meio de verbas governamentais, em palestras nas escolas que advirtam os estudantes quanto a necessidade de filtrarem os conteúdos encontrados na internet e ensinar que nem sempre o que lhes são mostrado como correto seja o melhor para si. Somente assim, a liberdade garantida pela Constituição Federal será, de fato, assegurada.