O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 18/11/2020
Na primeira metade do século XX, os sociólogos alemães Adorno e Horkheimer cunharam o conceito de indústria cultural. Para essa ideia, o capitalismo desfigurou as produções artísticas de modo a atender aos interesses das classes dominantes. Para isso, o sistema transformou a cultura em indústria produtora de obras para o consumo acrítico das massas, objetivando o aumento das vendas e lucros. Essa realidade aprofundou-se no século XXI, quando a tecnologia possibilitou o consumo de entretenimento a qualquer hora e em qualquer lugar. Entre os jovens, mais conectados, a indústria cultural exerce seu papel através dos influenciadores digitais, que promovem não só produtos, mas um estilo de vida, de forma a contribuírem não para a formação de cidadãos, mas para a de consumidores.
Crianças e adolescentes, por estarem em um período de formação da moral e valores, são mais suscetíveis à influências externas, que irão moldar suas características futuras. Como a promoção e divulgação de produtos é a principal fonte de renda dos influenciadores digitais, muitos dos que tem os mais jovens como público-alvo aproveitam-se dessa suscetibilidade para semear nos mais novos desejos e padrões de consumo. Assim, consolida-se ao longo do desenvolvimento infanto-juvenil a noção de que felicidade e satisfação estão atrelados ao consumo, um paradigma que por ter sido forjado nessa fase, provavelmente perdurará na idade adulta.
Isso comprova-se para os novos adultos da Geração Z, composta por jovens nascidos a partir da segunda metade da década de 1990. Por terem crescido conectados e estarem inseridos em um contexto de ubiquidade das redes sociais, apresentam com elas uma relação que beira a dependência. Como nesses espaçosos influenciadores exercem posições de proeminência e destaque, é impossível que os jovens não sejam afetados, direta, ou indiretamente, pelos hábitos de consumo promovidos. Uma vez que esse estilo de vida é muitas vezes baseado na busca uma aparência inalcançável ou gastos impossíveis para a maioria, a frustração de não se adequar aos padrões preconizados pode gerar efeitos psicológicos negativos para muitos.
Nota-se, portanto, a importância da atenção aos hábitos virtuais entre os mais jovens, de modo a minimizar potenciais impactos negativos dos influenciadores digitais. Para tanto, é preciso, no caso de crianças e adolescentes, que os tutores monitorem a navegação, acompanhando que páginas e aplicativos são visitados e restringindo tempo excessivo nas redes. Já para que os jovens cheguem à idade adulta resistentes ao bombardeamento de consumismo, é necessário que as instituições de ensino, por meio de um projeto pedagógico consistente, promovam uma educação transformadora, capaz de incutir no indivíduo um senso crítico que o acompanhe constantemente ao longo da vida.
A principal fonte de renda dos chamados influenciadores digitais é a divulgação e promoção de produtos em suas redes sociais. Para manter o interesse dos seus seguidores, essa propaganda é realizada de modo mais sutil ou mesclado aos tópicos que tornam o influenciador famoso. Como crianças e adolescentes ainda estão