O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 19/11/2020
Em consonância com Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade funciona como um corpo biológico que, para ser igualitário e coeso, depende das partes que o compõem. Sendo assim, no Brasil, com os impactos negativos dos influenciadores digitais na formação dos jovens vê-se falhas nesse funcionamento, em razão, principalmente da supervalorização da imagem e da falta de debate sobre a questão, tornando o cenário intangível e difícil de ser superado.
Em primeiro plano é preciso salientar que a exacerbada preocupação com a aparência entre os jovens é uma causa latente do problema. No conto “O espelho”, do ilustre, Machado de Assis é retratado em torno do personagem principal esta questão, uma vez que ele é titulado de alferes e só passa a ser reconhecer diante do espelho com sua farda, como se ela o definisse ou lhe desse o respeito das pessoas. Fora da literatura, a realidade encontrada é semelhante ao conto, já que os influenciadores digitais retratam uma vida perfeita através do consumo, influenciando os jovens a fazerem o mesmo, para encontrarem “realização” e uma “vida feliz”. Dessa maneira, é visível uma sociedade doente, em que a a felicidade é medida pela aparência pelos bens, que tornará adultos frustrados e narcisistas.
Ademais, outra configuração do problema, é o silenciamento em torno do assunto. A esse respeito, o pensador, Habermas defende que o diálogo é a principal forma de ação. Sob essa lógica, fica claro que o diálogo sobre impactos desses influenciadores na vida dos jovens não está sendo efetivado no país. Prova disso, é a pesquisa da Youpix, na qual mostra que apenas 1/10 dos adolescentes nunca foram influenciados a consumirem alguma marca ou produto pelas redes sociais. Nessa perspectiva, têm-se a maioria dos jovens alienados pela falta de conscientização e debate, contribuindo, dessa forma, para a perpetuação do triste cenário.
Mediante os fatos, é preciso, portanto, que medidas sejam tomadas para superar ou amenizar os impactos causados à população jovem. Logo, urge que O Ministério da Educação se alie com profissionais de informática e saúde, a fim de debater e explicar os danos que essas ações tem causado financeiramente, psicologicamente e até ao meio ambiente, através de palestras com o intuito de ensinar os jovens a usufruir dos meios digitais de modo consciente. Além dos internautas se unirem e criarem a campanha #diganãoaopadrão, quebrando o ciclo vicioso do consumo e incentivando a auto aceitação. Dessas formas, acredita-se que será possível superar os impactos à essa parcela da sociedade e manter o “corpo biológico” em perfeito funcionamento, como proposto por Durkheim.