O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 24/11/2020

No filme “Contágio”, um influenciador digital consegue convencer seus seguidores com uma filosofia perigosa de negligência à vacinação durante uma pandemia com o uso de argumentos convincentes e notícias falsas. Paralelamente, usuários de redes sociais famosas são destinados a serem doutrinados com a excessiva exposição de marcas por influenciadores, que exibem vidas perfeitamente irreais. Por isso, faz-se imperioso apontar como consequência não apenas o consumismo desenfreado, mas também a alienação de jovens.

Nessa perspectiva, é importante salientar que o córtex pré-frontal de crianças e adolescentes não são completamente formados até a idade adulta e, por isso, não chega a ser complexo influenciá-los no aspecto do consumo apelativo. Blogueiras, youtubers e outros, patrocinados por marcas, propagam nas redes sociais uma vida de posses e luxos, o que induz a compra de produtos por seus seguidores. Além disso, filosofia capitalista do possuir também pode resultar em impactos negativos no público que não possui renda suficiente para comprar artigos de luxo, como ansiedade e outros distúrbios psíquicos. Também, o jovem hodierno vive cada vez mais isolado socialmente, vislumbrado com o consumo, gozo e artificialidade do agora, como aponta Bauman em seu livro “Modernidade Líquida”.

Ademais, o influenciador faz o uso da linguagem argumentativa para seu seguidor comprar o produto que propaga, facilmente convencido pelas redes sociais. Nessa questão, o jovem acaba tornando-se alienado e viciado na serotonina que o Instagram, por exemplo, causa no corpo, o que pode ser perigoso. É importante saber que, somado com a propagação do consumo, influenciadores acabam expondo suas opiniões nas redes sociais, que podem ter um impacto positivo ou negativo na construção moral de jovens. Extremistas conseguem ser convincentes, principalmente para a inexperiência juvenil, que acabam cedendo à alienação de suas palavras. “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”, é uma das célebres frase do escritor George Orwell que critica a persistência da alienação midiática e seu consumo assustador.

Assim, cabe ao Ministério da Educação promover um maior destaque de investimentos para instituições de ensino, por meio de emendas constitucionais, para a realização de palestras de cunho educativo, principalmente em grandes centros populacionais, com o objetivo de descontruir o vislumbro com o consumo por meio de redes sociais em jovens e auxiliar a buscar influenciadores que acrescentem algo emocionalmente positivo aos seus seguidores. E, a mídia televisiva deve divulgar e ensinar informações sobre os perigos da alienação em redes sociais, com o fito de conscientizar seus usuários. Assim, o influenciador do filme “Contágio” não passará de um personagem fictício.