O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 30/11/2020
“Utopia” é uma série britânica, que relata como as corporações cibernéticas atuam para influenciar a população a agir de forma negativa idealizada por elas. Concomitante ao seriado, percebe-se que a manipulação por meio dos influenciadores digitais, para fomentar o jovem a agir ou consumir da forma como é divulgado, é uma realidade que se perpetua no tecido social. Tal manipulação é robustecida pela falta de fiscalização nas mídias digitais, para que seja possível o reconhecimento da informação transmitida, como também a necessidade de uma educação cibernética que amplie os saberes dos jovens, para reconhecer quando a manipulação dos influenciadores é tóxica para a vida do sujeito.
Em primeira análise, é indubitável que a falta de fiscalização nas mídias digitais por meio das organizações públicas de segurança social, amplia a manipulação dos influenciadores digitais. Segundo o portal de notícias “G1”, um homem foi acusado de ensinar a prática do estupro a jovens e adultos, por meio das mídias digitais. Com efeito, evidencia-se que a falta de fiscalização dentro desses espaços exacerba tais noticias, corrompendo os direitos civis ao incitar atos criminosos. Sob esse panorama, analisa-se que a não fiscalização desses ambientes proporciona a degradação dos direitos sociais relatados no artigo sexto da Constituição de 1988, impulsionando o jovem a reprodução de tais informações destrutivas.
Ademais, uma educação cibernética elucida o jovem a reconhecer um ato criminoso ou uma manipulação em prol da “cultura do cancelamento” - termo que define o ato de excluir socialmente um sujeito por uma ação realizada no contexto cibernético - que gera, respectivamente, prejuízos físicos e psicológicos. Segundo o filósofo francês Emille Durkheim, defini-se “fato social patológico”, como um ato social que foge da norma social, ou seja, ações que afetam negativamente um indivíduo. Analisando essa ótica, é perceptível que um indivíduo que possua educação cibernética, é capaz de reconhecer tais fatos sociais, evitando-os. Segundo o pensador brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nessa perspectiva, é evidente que a educação é vetor primordial para a transformação social, educando o jovem dentro do âmbito digital e cibernético, ocasionando uma intersecção entre o mundo onde ele está inserido e os conhecimentos sobre a vida em sociedade.
Considerando os fatos analisados, portanto, é necessário que o Estado capacite os professores para a inclusão da prática educativa cibernética, afim de promover debates sociais. Bem como, o Ministério da Segurança Pública deve interagir com os meios cibernéticos com o fito de aumentar a fiscalização. Feito isso, o impacto dos influenciadores digitais, de forma negativa, será mitigado.