O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 25/11/2020
Para o filósofo genebrino Jean-Jacques Rousseau “o homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado”. Analogamente, percebe-se que, na era tecnológica, o ser humano, principalmente os jovens, se prendeu aos chamados ‘influencers". Esses blogueiros, por sua vez, promovem estilos de vida, conceitos, marcas e influem as ideias e decisões diárias de milhões de pessoa. Infelizmente, é comum que tal promoção venha baseada apenas em dinheiro e não em valores pessoais ou qualidade do produto, o que leva as pessoas a escolhas inconscientes e ao favorecimento de ideologias rasas. Assim, é necessário discutir qual o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens.
Primeiramente, vale destacar que uma ideia não surge do nada, é produto do meio, do contexto e principalmente das pessoas ao redor. No filme “A origem” Dom Cobb apresenta ao telespectador o parasita mais resistente: uma ideia. Para Cobb, quando uma ideia é totalmente compreendida e gerada, cresce para o formar ou o destruir e é quase impossível de erradicá-la. Logo, negativamente, ao induzir pessoas a adquirirem o que promovem, os influenciadores inserem tal ideia e guiam seus seguidores a uma falsa sensação de livre escolha, ao fazê-las inconscientemente. Por conseguinte, o contexto das redes sociais contribuem claramente para o fenômeno, ao ser um meio de realidades utópicas.
Ademais, é necessário salientar que as redes sociais evidenciam vidas perfeitas, o que impacta diretamente na formação ideológica dos jovens. Para Zygmunt Bauman, a modernidade atual é líquida, baseada na crença que o “ter” é mais importante que o “ser”. A busca pelo ideal de vida perfeita se transformou em ter cada vez mais bens materiais e “ostentá-los” na internet, seja para preencher o vazio da indiferença humana nessa liquidez moderna ou para sentir a fama momentânea de manipular pessoas a segui-lo, tal busca é irreal, ao passo que essas ideologias rasas se desgastam facilmente. Dessa forma, os jovens, maioria entre os usuários das redes sociais, com tantos caminhos e escolhas pela chegada à vida adulta, se tornam extremamente influenciáveis por esses princípios rasos.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o impasse. Cabe ao Ministério da Cidadania junto ao Ministério da Educação a promoção de palestras e cursos nas escolas, universidades e canais federais na internet, para instruir as pessoas a como identificar maus “influencers” e como proceder, além de maneiras de fazerem escolhas mais conscientes, a fim de que a internet se torne um ambiente de seguidores mais racionais. Alem disso, cabe aos blogueiros verificar a procedência, junto as empresas, daquilo que promovem e aliar suas escolhas aos valores pessoais e ao caráter, dado o mérito de sua opinião para os seguidores, para conscientizar as marcas a produzirem produtos de qualidade. Desse modo, espera-se uma sociedade cada vez mais racional e menos acorrentada a influências externas.