O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 27/11/2020

Na música “Admirável Chip Novo”, a cantora Pitty evidencia o quanto os meios de comunicação possuem o poder de manipulação sobre as ações do ser humano em sociedade, como este deve agir e pensar. Tal questão transcende a composição e mostra-se presente na realidade brasileira, por meio da atuação dos influenciadores digitais na formação dos jovens, a qual resulta em consequências negativas na construção do conhecimento e da autossuficiência desses indivíduos. Assim, faz-se imperiosa a análise acerca da problemática, para que se possa contorná-la.

Em princípio, vale destacar que a influência na vida das pessoas é uma situação preocupante, majoritariamente, quando ainda possuem seu senso crítico em desenvolvimento. Conforme o filósofo Immanuel Kant, o conceito de “Menoridade Intelectual” é dado ao individuo que não tem a capacidade de pensar por si mesmo, ou seja, de utilizar seu conhecimento sem orientação de outro sujeito. Sob tal ótica, essa concepção é atribuída aos jovens, que são os principais alvos da manipulação de comportamento por influenciadores no meio tecnológico, pois são facilmente motivados a determinados ideais sem um questionamento prévio. Logo, esses brasileiros não adquirem sua autonomia, expondo-se aos perigos do âmbito digital inconscientemente.

Ademais, convém ressaltar que  a população juvenil está mais propensa ao consumismo pela indução dos influentes nas redes sociais. Segundo o filósofo Jean Baudrillard, vive-se na contemporaneidade a denominada “Sociedade de Consumo”, caracterizada pelo fato que todas as relações humanas são mediadas por aquisições de bens. Em consonância a esse ideário, o maior consumo da sociedade é intensificado pela prática de “marketing de influência”, utilizada por diversas marcas para venderem seus produtos, o que consiste na parceria com influenciadores digitais para persuadir seguidores, os quais em sua maioria são jovens. Destarte, essa ação predispõe os brasileiros ao consumo compulsório já na fase adolescente.

Infere-se, portanto, que medidas são imprescindíveis, visando mitigar os entraves à resolução desse revés. Para tanto, urge que o Ministério da Educação crie projetos de auxílio aos pais e responsáveis no acompanhamento do acesso dos filhos nas redes sociais - como Facebook, Instagram e YouTube -, por meio de palestras e debates nas escolas, que apresentem os riscos e as consequências que a manipulação dos influenciadores digitais pode causar na formação desses indivíduos, com intuito de contribuir para a formação crítica dos jovens e impedir que estes sejam consumidores compulsivos. Dessa forma, será possível reverter a situação de controle pelas mídias exposta pela cantora Pitty.