O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 28/11/2020

A geração Z está presente em diversas plataformas digitais. Na busca por encontrar alguém que possua a voz e o ideal que eles buscam, eles encontram os influenciadores digitais. Eles são atingidos em diversos meios com conteúdos diferentes produzidos por “influencers”. Assim, nota-se, na atualidade, que personalidades populares nos meios digitais exercem cada vez mais relevância nos valores modernos, sobretudo na formação de crianças e adolescentes. Contudo, observa-se que tal influência muitas vezes resulta em efeitos deletérios no desenvolvimento dos jovens, mormente a constante glamourização de padrões consumistas e materialistas nas redes sociais.

Primordialmente, cabe destacar que figuras influentes na internet se tornam um problema a partir do momento que os mesmo passam a aconselhar negativamente como, por exemplo, a valorização excessiva aos bens materiais. Nesse contexto, segundo o filósofo francês Jean Baudrillard, a sociedade moderna é caracterizada por embutir, em objetos e mercadorias, a simbologia do bem-estar. Isso é notório na glamourização recorrente de produtos e serviços por pessoas públicas na internet, perpetrando, assim, a noção do materialismo como símbolo de realização social. Com isso, cria-se nos jovens a ideia falaciosa de que o “ter” é mais importante que o “ser”.

Outrossim, observa-se, ainda, atitudes consumistas entre os jovens incentivados frequentemente pelos “influencers”. Isso acontece devido ao marketing digital realizado, que usualmente associam, de maneira inconsequente, marcas e produtos a um viés de satisfação pessoal, idealizando, assim, o consumismo nessa faixa etária. Essa idealização corresponde a ideia de “fetichismo” da mercadoria, descrita pelo filósofo Karl Marx, no qual a mercadoria, um ser inanimado, adquire “vida” porque os valores de troca tornam-se aos valores de uso. Assim, os jovens são incentivados a consumirem, uma vez que assim esperam, erroneamente, atingirem a felicidade.

Infere-se, portanto, que o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens é um grande desafio no Brasil. Diante desse nexo, faz-se necessário que o Ministério da Educação instrua jovens e adolescentes, nas escolas, sobre os malefícios do uso acrítico das mídias sociais, através de debates, de modo a torná-los mais críticos nos espaços cibernéticos. Desse modo, os jovens serão menos suscetíveis à influência dos meios virtuais.