O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 28/11/2020
A revista americana Time indicou o “Youtuber” brasileiro Felipe Neto como uma das pessoas mais influentes do mundo em 2020. Assim, pode-se perceber alterações no perfil de profissionais que os jovens das redes sociais acompanham, pois o influenciador ultrapassou outras personalidades famosas da mídia televisiva e da escrita e consagrou uma conquista para os que vivem de postagens na internet. Porém, a mudança possui impactos negativos no que diz respeito à falta de consciência por parte de alguns desses poderosos, que são capazes de manipular suas figuras digitais para atrair maior público. Dessa forma, faz-se necessário estimular o uso saudável das redes pela juventude e a contribuição dos influenciadores na discussão de pautas para desenvolvimento social.
No livro “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman discute-se acerca da fragilidade nas relações humanas. Assim, esse aspecto social pode ser notado nas redes, em que as pessoas criam fatores irreais em suas postagens para conquistar maior número de seguidores, principalmente jovens, o que faz com que as interações sejam falsas. Em consonância, a estratégia de manipulação é utilizada por influenciadores digitais, que organizam maneiras de seduzir seu público para concordarem com eles e para adquirirem produtos de marcas patrocinadoras, desse modo, afetam a formação social e intelectual dos mais novos.
Além disso, os jovens podem alterar seu aspecto de vida e desenvolver enfermidades psicológicas em decorrência dos influenciadores, pois estes postam cenas das partes boas de suas vivências, ocultando fatores ruins, e fazem com que os visualizadores acreditem na perfeição manipulada. Dessa maneira, a insatisfação gerada pela impossibilidade de conquistar todos os produtos propostos, de realizar os procedimentos estéticos e de ter o dinheiro dos sedutores nas redes faz com que pessoas desenvolvam doenças como depressão e transtorno de ansiedade. Ademais, a alienação proporcionada pelas postagens, que não abordam assuntos de importância social, cria falta de consciência e de capacidade empática na formação dos mais novos, pois os temas estimulam o individualismo e agravam a crise da fragilidade nas relações humanas do século XXI.
Portanto, para que as interações nas redes sociais possam se aproximar da realidade e para que os jovens ganhem maior conhecimento, faz-se necessário mudanças. A população deve pressionar os influenciadores para que estes tratem de assuntos sociais de importância, podendo indicar temas nos comentários de postagens até atenderem aos pedidos. Além disso, os próprios donos dos perfis precisam normalizar a discussão de problemas da vida, sem manipular a criação de uma vivência perfeita. Desse modo, haverá maior aproveitamento do espaço digital e a juventude melhorará.