O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 02/12/2020

Muito se tem discutido, na contemporaneidade, sobre como as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC’s) afetam as relações dos indivíduos societários. Nesse contexto, destaca-se o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Ademais, discute-se acerca das principais problemáticas envolvendo essa temática, como a falsa ideia de vida perfeita que muitos famosos passam nas mídias, e a falta de senso crítico que crianças e adolescentes podem desenvolver ao acessar conteúdos de alto cunho manipulador.

Em primeiro plano, cabe destacar que Zygmunt Bauman - filósofo contemporâneo - afirmou, com a Teoria da Modernidade Líquida, que, na era digital em que o mundo se encontra, as aparências superam a essência. Corroborando Bauman, é inquestionável que as redes sociais servem de palco para a imagem de vida ideal que muitos influenciadores digitais vendem para os seus seguidores. Nessa ótica, tal realidade tende a ser impactante para a formação de jovens que se auto comparam com blogueiras e com youtubers e frustram-se por não possuir a “vida perfeita” que esses exibem nas telas do instagram, por exemplo. Sob esse aspecto, essa frustração em excesso pode levar o indivíduo, inclusive, à depressão, o que vai ao encontro da OMS, a qual afirmou em 2019 que 11 milhões de pessoas vivem com depressão no Brasil.

Em segundo plano, é pertinente destacar que, consoante os filósofos da escola de Frankfurt, o conceito de “Indústria Cultural” infere que a propaganda ideológica é um fenômeno cultural mundial em que os indivíduos são manipulados por certos conteúdos que chegam até eles. Nesse ínterim, isso tem forte relação com a influência que os famosos, no meio digital, têm sobre os demais usuários, gerando, em muitos desses, a falta de senso crítico. Assim os jovens captam informações do meio externo sem a auto reflexão e a criticidade que estudos da linha cognitivo-comportamental afirmam ser necessárias, tornando-se, com isso, meros produtos manipuláveis da Indústria Cultural (muito presente nas TIC’s).

Por conseguinte, cabe a mídia alertar a população quanto a exposição exagerada de “vida ideal” nas redes sociais, por meio de campanhas publicitárias que lembrem à população a importância de diferenciar aparência de essência, para que o sentimento de auto comparação dos jovens seja reduzido. Além disso, o MEC deve melhor estimular a capacidade de auto reflexão das crianças e dos adolescentes, por intermédio de projetos educacionais que ensinem os estudantes a criticar os conteúdos que lhes são apresentados e não somente absorvê-los,  a fim de que a falta de senso crítico seja combatida. Dessa forma, será possível viver em um País menos suscetível às aparências e à manipulação.