O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 07/12/2020

O culto à personalidade não é um fenômeno sociológico novo. Esse comportamento sempre esteve inserido na sociedade de diversas maneiras, destacando-se os regimes totalitários como o hitlerismo e stalinismo, além das correntes religiosas. Nesse sentido, com o advento das novas tecnologias, alguns indivíduos ascenderam à condição de influenciadores digitais. Sob essa perspectiva, nota-se que essas pessoas, muitas vezes, visam reproduzir no seu público uma mentalidade consumista e isenta de responsabilidade social, o que pode ser prejudicial na formação dos jovens. Logo, para combater esse raciocínio é fundamental buscar soluções que promovam o bem-estar coletivo em detrimento do lucro.

A priori, é importante entender o porquê do conteúdo propagado pelos influencers ter tanto impacto no público juvenil. Para isso, destaca-se o conceito de Indústria Cultural, definido pelos sociólogos T. Adorno e M. Horkheimer como o estado em que propõe-se um alinhamento ideológico e a massificação do comportamento visando o consumo. Nesse contexto, parte dos influenciadores se apropriam desse fenômeno para ditar tendências e a capitalizar com essas ações. Dessa forma, alguns jovens, por estarem em processo de formação e não possuírem o senso crítico desenvolvido, estão mais expostos a esse ideário e aos seus malefícios. Assim, nota-se que a falta de compromisso social por parte desses formadores de opinião é prejudicial, pois ajuda a promover a objetificação do ser humano.

Em segundo lugar, verifica-se que, como forma de combater a influência puramente consumista nos jovens, é necessário que os influenciadores atentem-se ao bem coletivo. Sob esse escopo, os sociólogos ingleses J. Bentham e J. Mill propõem a adoção da doutrina Utilitarista, a qual afirma que as pessoas devem agir de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar social. Nesse sentido, os criadores de conteúdo devem priorizar temas de interesse público e que auxiliem na formação da sua audiência, a exemplo dos canais de divulgação científica “Física e Afins” e “Nerdologia”. Logo, fica claro que os influenciadores digitais podem impactar positivamente a sociedade.

A partir do exposto, constata-se que as consequências dos conteúdos promovidos pelos influencers podem sensibilizar o público juvenil de formas positivas e negativas. Assim, com o objetivo de diminuir os impactos nocivos da mídia digital, é útil promover o senso crítico dos jovens. Para isso, é dever do Ministério da Educação instituir o ensino de filosofia e sociologia desde anos fundamentais, haja vista a importância dessas disciplinas no desenvolvimento dessa habilidade. Nesse sentido, as escolas, por meio de aulas adaptadas as idades dos alunos, devem propor atividades que promovam o exercício do discernimento, como a leitura de livros e o estudo de casos. Dessa maneira, o conteúdo promovido pelos influenciadores será recebido de forma mais cautelosa pelo jovens favorecendo a sua formação.