O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 09/12/2020

O episódio Nosedive da premiada série norte-americana “Black Mirror”, produzida pela Netflix, narra a história de Lacie, uma garota determinada a crescer na vida, em uma utópica sociedade de aparências regida pelas redes sociais. Em paralelo com a ficção, as redes sociais se tornaram parte do cotidiano da maioria dos jovens, o que criou uma nova dinâmica de relações sociais que levanta preocupações acerca dos impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Logo, é essencial analisar as consequências dessa influencia para a juventude e a postura capitalista no caso, a fim de criar estratégias que atenuem os impactos negativos dessa nova ordem mundial.

É importante analisar, de início, os desdobramentos dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Nesse quesito, a Teoria da Sociedade do Espetáculo de Guy Debord, em que os indivíduos tendem a criar um espetáculo de suas vidas por meio da manipulação da imagem, exemplifica a dinâmica das redes sociais e como os influenciadores utilizam disso com o intuito de se promover ou criar uma tendência. Em consequência disso, os jovens, frequentemente bombardeados por publicações que os influenciam ao que comer, falar, vestir, agir e até mesmo ser, se encontram perdidos e desamparados -situação vivenciada pela personagem Lacie na série Black Mirror. Assim, análogo ao conceito elaborado pelo sociólogo Zygmunt Bauman de sociedade líquida, as relações sociais e a integridade moral dos jovens estão cada vez mais frágeis, fugazes e maleáveis, como os líquidos.

Outrossim, é imperativo pontuar sobre as influências do capitalismo no caso. Nesse sentido, ao longo dos anos, as redes sociais, assim como os influenciadores digitais, tonaram-se ferramentas importantíssimas para o meio publicitário. No entanto, análogo ao conceito de Globalização Perversa do geógrafo Milton Santos, em que, paradoxalmente, a globalização favorece o fluxo de capital, mas limita o de pessoas sem a preocupação com o indivíduo, em especial os pobres, essas novas ferramentas do meio publicitário acentuam essa realidade no que se refere à problemática, pois valorizam mais o ter do que o ser e implicam na construção de uma sociedade individualizada e desigual.

Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para atenuar os impactos dos influenciadores na formação dos jovens. Logo, cabe ao Ministério da Educação proporcionar aulas -ministradas por psicólogos e especialistas- aos estudantes do ensino fundamental e médio, que os orientem sobre os impactos dos influenciadores digitais e das redes sociais em suas vidas; essa medida pode ser viabilizada por meio de investimentos estatais e da contratação de mais profissionais, a fim de educar os pequenos sobre os perigos das redes e prevenir os efeitos negativos delas. Desse modo, a situação vivenciada por Lacie em Black Mirror não se tornará uma realidade para os jovens no Brasil.