O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 11/12/2020
‘‘Black Mirror’’ é uma série norte americana que retrata a influência da tecnologia no cotidiano de uma sociedade do futuro; em um de seus episódios, ‘‘Queda Livre’’, a série apresenta um mundo em que as pessoas estão constantemente sendo avaliadas pelas outras e os indivíduos que possuem melhores avaliações acabam tendo diversas vantagens socioeconoômicas. Apesar de ser uma obra de ficção, os influenciadores digitais -que são pessoas admiradas e muito bem ‘‘avaliadas’’ por um determinado grupo e, por conta disso, apresentam uma vida com beneficíos- mostram que ela não se distância muito da realidade. Sendo assim, é importante destacar que esses influenciadores digitais podem impactar negativamente a formação dos jovens.
Primeiramente, é valido ressaltar que os influenciadores acabam impondo não só um padrão de vida, como também, por meio do patrocinio da indústria da moda, um padrão estético. Nesse sentido, esses padrões, por conta de fatores econômicos e até mesmo biológicos, acabam sendo irreais para a maioria dos jovens. Em função disso, surge um sentimento de frustração que, muitas vezes, pode proporcionar a depresão, a qual -segundo a Organização Mundial de Saúde- é a segunda maior causa de morte de adolescentes. Com isso, fica claro que a influência realizada por famosos, quando feita de forma irresponsável, pode contribuir negativamente com a saúde mental da juventude.
Paralelamente, pode-se dizer que os influenciadores digitais também têm impactado a formação de opinião dos jovens. Nesse contexto, é plausível ressaltar que Hitler conseguiu convencer adultos de que matar Judeus era algo necessário, ou seja, se o discurso for bem elaborados, um influenciador, que já é admirado, consegue convencer os jovens sobre qualquer coisa. Nesse âmbito, alguns ‘‘influencers’’, por terem interesses próprios ou por serem leigos, propagam a desinformação diariamente e discursos mentirosos, como de que a terra é plana ou de que vacina causa doença, são cada vez mais comuns entre os jovens. Dessa forma, a disseminação de conteúdos sem embasamento científico realizada por alguns influenciadores têm atrapalhado a formação de opinião e de conhecimento dos jovens.
Em virtude dos fatos mencionados, é nítido que os influenciadores digitais possuem a capacidade de afetar negativamente a saúde psicológica, bem como a interpretação da realidade dos jovens. Desse modo, é necessário que a população, por meio de uma lei de iniciativa popular -assinada por um porcento do eleitorado, assim como exigido no artigo 61 da Constituição-, proponha que todas as redes sociais tenham o dever de criar um perfil, ministrado por psicólogos, pedagogos e sociólogos, que será automaticamente seguido por todas as pessoas e fornecerá um conteúdo sobre como lidar com os padrões impostos na internet e como driblar desinformações. Assim, não ocorrerá uma ‘‘Queda Livre’’.