O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 14/01/2021

Em sua música “Admirável Chip Novo”, Pitty cria uma fábula de ficção científica, em que a própria sociedade acaba se tornando um robô mitificado por um sistema maior. Na contemporaneidade, é evidente que os influenciadores digitais detêm de um grande poder manipulador sobre os jovens, interferindo negativamente na sua formação. Logo, deve-se analisar os efeitos individuais e coletivos desse impetuoso controle, tais como o aparecimento de transtornos físicos e psicológicos e a construção de uma sociedade consumista.

Em primeiro plano, é vital pontuar que os “digital influencers”, por intermédio dos mecanismos das redes sociais, expõem, em seu dia a dia, hábitos alimentares e físicos invejáveis, pois são pouco alcançáveis pelo cidadão comum. Nesse viés, o jovem é, individualmente, influenciado por esses formadores de opinião a medida em que comparam o seu padrão de vida com aquele exposto na rede, o que o conduz à frustração, à baixa autoestima e, a longo prazo, ao desencadeamento de distúrbios de imagem, como anorexia, e transtornos psicológicos, a exemplo da ansiedade. Isso pode ser visto na série americana, “Black Mirror”, em que a protagonista, em busca do enquadramento digital, desenvolve uma espiral de neurose, por viver em troco de visualizações e de aceitação.

Além disso, o alto índice de publicidades vinculadas por esses atores das redes sociais proporcionam a ascensão de uma sociedade consumista. Nesse seguimento, o sociólogo francês, Jean baudrillard, em seu conceito “Sociedade do Consumo”, alegou que as relações humanas são mediadas pela aquisição massiva de bens, serviços e produtos. Seguindo essa lógica, na internet, essa correlação é dada no momento em que o influenciador compartilha suas experiências com determinado produto, utilizando esses parâmetros para orientar as decisões de compra dos jovens. Desse modo, agem controlando as práticas dessa sociedade, assim como em “Admirável Chip Novo”.

Portanto, a fim de formar um pensamento crítico nos jovens, é necessário que Organizações Não Governamentais (ONGs), ligadas as redes sociais, façam campanhas publicitárias que informem aos jovens as estratégias comerciais por trás das publicações. Essas campanhas devem ser transmitidas por meio das mídias, como o Instagram, Twitter e Facebook, para que, então, esse grupo juvenil esteja distante de ser parte de uma sociedade controlada por um sistema maior.