O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 16/12/2020

O Futurismo, vanguarda europeia do século XX, defendeu que a tecnologia promoveria a evolução da humanidade. Todavia, o desenvolvimento da internet acarretou o surgimento dos “influêncers”, os quais impactam profundamente a formação dos jovens. Tal mazela ocorre não só pelo incentivo ao consumismo, como também pela perpetuação da alienação. Diante disso, é importante analisar os efeitos negativos provocados por essa classe.

É fundamental destacar, primeiramente, que os influenciadores estimulam o consumo demasiado. Segundo Kant, o ser humano está na minoridade da razão quando toma decisões baseadas em outrem. Nessa perspectiva, a aquisição de elementos promovidos por esses indivíduos coaduna com a visão kantiana, na medida em que alguns rapazes e moças consomem sem a devida criticidade. Isso se expressa nos dados divulgados pela Metrópoles, os quais mostram que 48% dos jovens já compraram um produto somente por causa da divulgação feita por um “influêncer”. Por consequência disso, há o aumento do consumismo, já que essa parcela compra, muita vezes, sem necessitar. Desse modo, é inconcebível a ação problemática desse grupo na formação de jovens com essa característica.

Além disso, ocorre o recrudescimento da alienação. De acordo com Adorno, a “Indústria Cultural” divulga produtos que não permitem a identificação de problemas sociais. Nesse contexto, as publicidades feitas por influenciadores digitais corroboram com a teoria de Adorno, já que podem ser usadas para reduzir a construção do senso crítico nos jovens. Isso se torna evidente, a partir da contratação, pelo governo Temer, em 2017, de youtubers para promover reformas educacionais impopulares e pouco inclusivas. Dessa forma, é inaceitável que esses indivíduos usem sua fama para sustentar a alienação, isto é, a falta de senso crítico.

Fica claro, portanto, que o impacto dos influenciadores é um problema social. Dito isso, urge que as ONGs - responsáveis por suprir as ausências estatais - garantam a formação da criticidade entre os jovens, por meio de parcerias com as escolas, nas quais haverão palestras e rodas de conversa com os alunos, para que haja a redução do consumismo e a alienação derivada da ação dos “influêncers”. Assim, poder-se-á reverter o quadro atual e promover um mundo mais próximo ao ideal futurista.