O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 13/08/2021
Além de trazer maior acesso à informação e encurtar distâncias, a era digital proporcionou o surgimento dos influenciadores digitais, populares especialmente entre as gerações mais jovens. Nesse contexto, a frase do escritor Stan Lee “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” cabe perfeitamente. Por essa ótica, se não exercerem sua presença na internet de maneira sensata, tais indivíduos podem impactar negativamente a formação dos jovens. Por exemplo, é possível citar a promoção do consumismo e as sequelas na autoestima dos seguidores.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a promoção do consumismo presente na questão. O filósofo Platão contribui para a discussão ao definir que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que não se tem. Visto que as pessoas que acompanham influenciadores digitais geralmente admiram seus valores e estilo de vida, estes desejam os produtos promovidos pelas celebridades. Consequentemente, as empresas se aproveitam desse prestígio para a venda de seus artigos. Isso cria um cenário no qual o consumidor não adquire a mercadoria por necessidade, mas sim por um desejo de se aproximar do seu ídolo ou um estilo de vida idealizado. Nesse sentido, percebe-se uma analogia entre o amor platônico e o consumo, que gera o consumismo, um grande problema da atualidade.
Outro ponto relevante, nessa temática, são as sequelas na autoestima dos seguidores. Frequentemente, os usuários das redes sociais se comparam com o que veem no mundo virtual, que é repleto de corpos e vidas que parecem perfeitos. Segundo um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, atuantes na área acreditam que as redes sociais impulsionaram o aumento de cirurgias plásticas entre jovens de 13 a 18 anos. É evidente que as celebridades da internet propagam um padrão de beleza, algumas até promovem procedimentos estéticos. Ao passo que veem suas realidades distantes das pessoas que admiram, cria-se um sentimento de inadequação e, consequentemente, uma busca para se encaixar em tais parâmetros por parte dos seguidores.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para esse fim, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas públicas e privadas, proporcionem a criação de oficinas educativas sobre autoestima e a vida em rede. Esses eventos devem contar com a participação de especialistas que promovam o pensamento crítico e mostrem que o mundo virtual não condiz, necessáriamente, com a realidade. Tal estratégia de conscientização pode estar aberta à comunidade, de modo que os impactos negativos dos influenciadores digitais sejam menos abrangentes.