O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 24/12/2020
Zumbis das redes sociais
Os jovens de trinta anos atrás jamais imaginariam o quão diferentes se tornariam os de hoje: zumbis hipnotizados por um aparelho chamado “smarthphone”, cuja tela apresenta as “verdades” que devem ser adquiridas por todos que buscam a felicidade. De fato, não havia como prever o quão tola e superficial toda uma geração poderia vir a se tornar.
Todos que hoje têm mais de 34 anos foram influenciados até o início da fase adulta (18-19 anos) pelos conteúdos televisionados. A televisão impactava o estilo de vida das massas: as novelas e filmes traziam as expectativas de finais felizes; os telejornais mostravam as mazelas sociais, os “vilões” que as causavam e os “heróis” que as combatiam; as propagandas, posicionadas entre um programa e outro, vendiam por 30 segundos produtos que enchiam os olhos do telesepctador.
Todavia, a televisão há pelo menos uma década não exerce a mesma influência. Os jovens de 18 a 34 anos são consumidores vorazes das redes sociais (ou seria melhor designá-los de mercadorias?), sendo fortemente moldados por elas.
Quando se abre uma rede social, uma multidão de “autoridades” nos mais variados assuntos é apresentada aos usuários, com manuais de como se ter a vida perfeita: em fotos cheias de filtros e edições, mostram a felicidade que se tem quem come o que eles comem, quem compra o que eles compram, quem usa o que eles usam, quem viaja para onde eles viajam… São os atualíssimos profissionais nomeados influenciadores digitais, os quais são pagos para fazerem de suas vidas vitrines, apresentado detalhes nada comuns e nada naturais de suas rotinas como sendo seu cotidiano. Mostram apenas o que é belo e lucrativo, tudo pelo crivo de uma boa edição. Ser feliz há muito passou a ser sinônimo de “ter”. Com isso, uma geração de jovens sem representatividade social, altamente frustrada, insatisfeita com tudo e sem perspectivas para o futuro tem sido estabelecida.
Como mudar tal situação é uma questão complexa uma vez que os conteúdos das redes sociais não sofre muita regulamentação. O caminho mais eficaz seria o da honestidade e transparência dos influenciadores digitais: que nas mesmas páginas em que publicam suas alegrias e aquisições, também revelem suas frustrações, complexos, dias maus, rotinas domésticas, contas a pagar… Que deixem claro que suas vidas não têm filtros capazes de amenizar os problemas que são comuns a todos.
Assim, a chance de desipnotizar essa geração de frustrados com Iphones nas mãos, de modo que deixem de olhar apenas para suas telas e passem a olhar para o futuro que está a sua frente.